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Blog do Blob


VENCEDORES DO VII FANTASPOA:

 

Curtas (Juri Oficial)
Live-Action Nacional: Ninjas, de Dennisson Ramalho
Animação Nacional: Meu Medo, de Murilo Hauser
Live-Action Internacional: A Maré, de Sylvia Guillet
Animação Internacional: Bobby Yeah, de Robert Morgan

Competição de filmes de ação: Mandrill, Ernesto Diaz Espinoza

Animação: Technotise, de Aleksa Gajic

Mostra Latino-Americana:
Melhor Filme: Malditos Sejam, de Fabián Forte e Demian Rugna
Melhor Diretor: Pablo Ilanes, de Baby Shower
Menções Honrosas:
Qualidade artística: Estigmas
Revelação: O Sanatório

Competição Internacional:
Efeitos Especiais: O Sepulcro
Melhor Atriz: Angela Bettis, por Autômatos e Todos os Meus Amigos são Cantores de Funeral
Melhor Ator: Christian Berkel, por O Último Empregado
Roteiro: Uma Noite Escura e Tempestuosa, de Larry Blamire
Melhor Direção: Victor Nieuwenhuijs, Maartje Seyferth, por Carne
Melhor Filme: Vermelho, Branco e Azul, dirigido por Simon Rumley

Menções Honrosas:
Contribuição Artística: Stefano Bessoni, Krokodyle
Banho de Sangue: Ubaldo Terzani Horror Show
Rainha do Grito: Natasha Lyonne, Tudo Sobre a Maldade



Escrito por Blob às 14h54
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MINHAS RÁPIDAS IMPRESSÕES SOBRE O FANTASPOA 2011 CAPÍTULO FINAL

Bom, continuando com o resumo da minha saga pelo Festival. Passado o fim de semana com estréias nacionais (aonde só vi o filme do GUERRA mesmo) e da retrospectiva do clã BAVA. Vamos agora percorrer o resto dos filmes:

UMA NOITE ESCURA E TEMPESTUOSA (Darky and Stormy Night, 2009) de LARRY BLAMIRE - Paródia aos velhos filmes de horror e mistério dos anos 30/40. Numa mansão lúgubre em uma noite tempestuosa, alguns personagens se reunem para a leitura do testamento de um milionário, quando um por um vão sendo misteriosamente assassinados. Cinéfilo de merda que sou, não conhecia o trabalho desse diretor (que também participa como ator em um dos personagens mais engraçados), mas já me informaram que ele basicamente trabalha apenas com essas comédias retrôs. A impressão que dá é que o cara deve ter ficado anos assistindo apenas esses tipos de filmes! Ele mostra desenvoltura não só na tiração de sarro dos velhos clichês do gênero (sem contar a própria trama que lembra baluartes como THE CAT AND THE CANARY e OLD DARK HOUSE), como o próprio tipo de humor e diálogos são tipícos de comédias da época. Um feeling realmente notável. A fotografia é, obviamente ,em P&B. E para os entendidos, não falta nem uma rápida brincadeira com LOVECRAFT. LARRY BLAMIRE, um cara que tenho que correr atrás de outros trabalhos...


CHÁ DE BEBÊ (Baby Shower, 2011) de PABLO ILLANES - Ótima surpresa vindo do Chile. Ángela (INGRID INSENSEE) está grávida de gêmeos, mas passa sua gestação numa casa isolada aos cuidados de um grupo de hippies. Num fim de semana, ela reune três amigas com pretexto de curtirem uns dias, quando na verdade a protagonista quer saber qual delas viajará com o pai de seus filhos para Bahamas. Além dessa saia justa, a mulherada terá que confrontar a fúria sanguinária dos hippies malucos à la Família Manson!! Indo de referências do slasher ao torture porn, passando pelo exploitation setentista, BABY SHOWER se revela então mais tenso e violento do que eu previa (com direito até a uma rápida castração on-screen!!!). Realmente muito bacana. A sessão era para ser comentada, mas o diretor não pode comparecer, uma pena realmente.

UM SUSURRO NAS TREVAS (The Whisperer in darkness, 2011) de SEAN BRANNEY - Mais uma produção em P&B e com estética retrô. Desta vez uma adaptação do conto de H. P. LOVECRAFT, que como se sabe, nunca é uma tarefa fácil. O professor Albert Wilmarth (STEPHEN BLACKHEART) da Universidade Miskatonic, vai até as florestas de vermont investigar evidências de estranhas criaturas que andam por lá. Acaba encontrando um estranho culto que pretende trazer criaturas de outro mundo para dominar o nosso. Como adaptação ele até tenta se manter mais fiel do que as doideiras de STUART GORDON, por exemplo, o que é uma boa intenção (que como todos sabem o inferno está cheio) pena o resultado se mostrar um tanto monótono, e o final derrapa feio na maionese. Enfim um filme apenas regular.

SUOR FRIO (Sudor Frio, 2010) de ADRIÁN GARCIA BOGLIANO - Como se tornou praxe aqui no Fantaspoa, não podia faltar a nova traquinagem da produtora Argentina PAURA FLICS (eles prometem para esse ano ainda a produção PENUMBRA, que provavelmente passara na edição do ano que vem). É uma espécie de HOSTEL castelhano. Um jovem (FACUNDO ESPINOSA) procura sua namorada que sumiu, com a ajuda de uma amiga (MARINA GLEZER) eles param numa antiga casa, que seria moradia de um suposto amigo virtual da moça desaparecida, o que acabam encontrando lá são dois velhos psicopatas, ex-torturadores da ditadura argentina, que se deliciam em torturar garotas catadas pela internet. O filme trata de temas curiosos, tanto históricos, ao mexer com as feridas ainda abertas dos anos de chumbo de argentinos, quanto atuais, como as armadilhas que podem gerar das amizades superficiais geradas pela internet. Destaque pelo modus operandis dos velhos sádicos que utilizam nitroglecerina em suas "brincadeiras"!!! Há ainda umas tiradas bem humoradas em meio a violência toda, como uma piada bem sacada com o Facebook e a intervenção dos vizinhos junkies que acabam virando heróis. Não escondo minha simpatia pelo pessoal da PAURA, que faz cinema de gênero com pouco orçamento e muita paixão. Los hermanos estão de parabéns! A sessão comentada foi bacana, embora tenha a lamentar apenas o fato de que os EUA já teriam comprado o direito da obra para um remake. Merda.

LITTLE DEATHS (2011) de SEAN HOGAN, ANDREW PARKINSON e SIMON RUMLEY - Primeira sessão surpresa deste ano, e deixo aqui registrado: primeira sessão surpresa de todos os Fantaspoas em que realmente gostei! são três segmentos (ou três curtas, como quiser) comandados por diretores distintos. No primeiro temos um casal que se passa por religiosos para cooptar moradoras de rua, apenas para aprisoná-las e usá-las e suas brincadeiras sexuais, até que eles pegam uma que lhes reserva uma tenebrosa surpresa. No segundo temos uma criatura que é mantida presa em aparelhos, e alimentado com corações humanos batidos em lum iquidificador (!!!) e que possui um pênis enorme, cujo o sêmen é utilizado para a fabricação de uma nova droga. Uma prostituta é usada como cobaia deste produto, mas acaba tendo como efeito colateral uma ligação sensorial com a estranha criatura e com as vítimas cujo os corações foram extraídos. No segmento derradeiro temos um casal formado por uma garota com fobia por cães e seu namorado submisso. Mas nem tudo é tão consensual quanto julga a moça, a dor e o rancor armazenado do rapaz explodirá num final violento. A primeira história se vale da reviravolta inesperada no final, a segunda é mais fraca de todas: mal desenvolvida e mal acabada, resultado truncado e comprometedor. Mas a cereja do bolo é a última: com uma direção classuda, temos personagens e situações bem desenvolvidas em que é difícil  não se envolver com os personagens, trilha e visual bem sacados, gostei também da forma como o diretor trabalha com a questão do off e do on-screen. Fiquei mais fascinado ainda com a sessão comentada por esse diretor, SIMON RULEY. O interessante que um dia antes tinha passado o longa dele: VERMELHO, BRANCO E AZUL, e como perdi, e  com o reforço da dica da LAURA CANEPÁ e LEANDRO CARAÇA, decidi que a próxima exibição do filme (que seria no dia seguinte) não poderia ser perdida por esse humilde escriba. Falarei dele mais adiante, seguirei minha ordem cronológica.

TUDO SOBRE A MALDADE (All About Evil, 2010) de JOSHUA GRANNELL - Herdeira de um cinema decadente e fanática por filmes de terror (NATASHA LYONNE) acaba matando a mãe diante das câmeras de segurança, que acidentalmente acaba passando no projetor do cinema (!!), diante da aprovação do público que pensa ser aquilo uma encenação, ela tem a idéia de criar pequenos filmes em que assassina pessoas e assim acaba virando sensação! Legítimo caso de um filme feito por apaixonados pelo cinema de horror e para apaixonados pelo cinema de horror!! Com uma tonelada de refêrencias, principalmente aos exploitations americanos que fervilhavam nos drive-ins, eis uma honesta e divertidíssima obra que supera muitos hypes retrôs que há por aí. De BETTE DAVIS à HERSCHELL GORDON LEWIS, há tanta coisa que os escolados em cinema tranqueira se divertirão mais que o público leigo, sem dúvida. Destaque para a participação da dupla de irmãs gêmeas psicopatas que acabam auxiliando a protagonista na produção de seus snuffs, e claro, da lendária CASSANDRA PETERSEN (a ELVIRA, seu tosco!!), que inclusive acaba fazendo piada consigo mesma. A sessão comentada com o diretor e um dos produtores foi divertodíssima, e os caras ficaram tão empolgados com a platéia que até repitiram a dose de comentários na outra exibição (coisa que não estava no gibi). Enfim, um ótimo filme!!


VERMELHO, BRANCO E AZUL (Red White & Blue, 2010) de SIMON RUMLEY - Empolgado pelo ótimo segmento de LITTLE DEATHS, lá fui eu conferir esse longa de SIMON RUMLEY. O filme gira em torno da personagem Erica (AMANDA FULLER) uma garota de comportamento liberal que ganha a afeição de um vizinho anti-social chamado Nate (NOAH TAYLOR), um veterano da guerra do Iraque, ao mesmo tempo em que cruza em seu caminho o roqueiro Frank (MARC SENTER), rapaz com quem teve uma noite de sexo, e que lhe tará consequências trágicas. OAssim como no segmento de LITTLE DEATHS este filme se desenvolve como um drama, mas que explodirá em violência no final. Ao término da sessão achei algumas similariedades com TAXI DRIVER: temos aqui o veterano de guerra que cria uma afeição por uma moça promíscua, com quem não tem nenhum relacionamento carnal, e por causa dela acaba criando um banho de sangue. Embora eu aponte essas semelhanças, isso não diminui em nada esta obra, que tem força e personalidade própria. mais uma vez RUMLEY mostra que sabe criar e desenvolver seus personagens marginalizados com que mostra uma simpatia indisfarçável (o que me lembra também a obra de BUKOWSKI) fugindo de qualquer esteriótipo e maniqueísmo, é dificíl não se deixar levar por qualquer um deles, da vítima ao carrasco. SIMON RULEY um talento que merece minha atenção desde já. O meu filme preferido deste Fantaspoa (e dos jurados também, hehehe).

YELLOWBRICKROAD (2010) de JESSE HOLLAND e ANDY MITTON - Depois do melhor veio o pior. Essa história sobre um grupo de pesquisadores que vão explorar uma trilha cheia de lendas aonde morreu mais de 300 pessoas décadas atrás, e aonde os próprios exploradores vão aos poucos enlouquecendo e matando uns aos outros é um porre! Apesar da referência ao MÁGICO DE OZ no título, na verdade, embora não siga o batido caminho do mockumentary (graças a deus!) é um sub-BRUXA DE BLAIR (se não gosto do original o que dizer disso?). Chato e  penoso. Foi mais torturante pra mim seguir até o final do filme. O pior filme que vi no festival.

O LEGADO VALDEMAR II: A HERANÇA PROIBIDA (La Herencia valdemar II: La sombra Prohibida,2010) de JOSÉ LUIS ALEMÁN - Bom, não vi o primeiro, que dizem ser melhor (ou seja, já comecei mal). Aqui temos a heroina (SILVIA ABASCAL) que estava desaparecida e acaba juntando forças com o detetive Tremel (ÓSCAR JAENADA) para impedir que uma seita traga seres de outro mundo que dominarão o nosso (hmm, já vi isso antes...). Na verdade este é o legítimo flamenco do espanhol doido. Não falta num flashback o  encontro do personagem de PAUL NASCHY, em participação póstuma (!!!), com H. P. LOVECRAFT (!!!!), aqui interpretado pelo espanhol LUIS ZAHERA. No final temos até um Cthulhu de CGI com barriga de chopp. É aquilo: se não levar a sério poderá até se divertir.

TERRÁQUEOS (Earthling, 2010) de CLAY LIFORD - Taí um filme que nem sei se gostei ou não, para falar a verdade nem sei se entendi! Um meteorito cheio de espinhos (que mais parece uma mamona intergalática!) passa perto de uma nave. Logo alguns habitantes da terra aparecem com deformidades (leia-se caroços suspeitos na testa), estes descobrem que não são humanos, mas aliens perambulando por aqui como terráqueos. Bem acho que é por aí. Não achei a merda que alguns apontam, mesmo porque um filme que tenha uma mamona espacial, gente com chifres, lesbianismo, incesto e pedofilia, não tem como me dar sono, apesar de tudo um tanto confuso. Acho que tenho saco até para uma revisão. Quem sabe daqui alguns anos?

LA SONÁMBULA (1998) de FERNANDO SPINER - Outra boa sessão surpresa! Apesar de ser de 1998, essa ficção argentina estava inédita no nosso Brasil varonil. A trama se passa no ano de 2010 (!!) num mundo totalitário em que o governo infiltra agentes no meio do povo, em busca de pessoas "infectadas" e tentar caçar um lider rebelde. Um agente (EUSEBIO PONCELA) acaba se apaixonando pela suposta mulher do mártir insurrecto (SOFÍA VIROBOFF). Com uma gama de refêrencias que vão de METROPOLIS e o BRAZIL de GILLIAM, até a literaura fantástica da Argentina (BORGES, CORTÁZAR). Mesclando P&B e cores, sonho e realidade, ficção científica e surrealismo. Com um desenvolvimento lento para as platéias chatas de hoje, e algumas imagens belíssimas. Realmente uma boa opção. destaque para a sessão comentada com o diretor que foi bem bacana e elucidativa.

Bem, foi isso. Para variar deixei alguns filmes pelo caminho, mas isso é natural em vista do tamanho do evento. Deixo aqui meus parabéns aos organizadores e um abraço a todos os meus amigos que estiveram presentes (a lista é grande, o espaço tá curto e não quero cometer a injustiça de esquecer alguém, vocês sabem quem são). Deixo um forte e especial abraço para a grande ALANA PHIBES, que me aturou o festival inteiro!!! Beijão querida! Ano que vem tem mais!    


     



Escrito por Blob às 10h47
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MINHAS RÁPIDAS IMPRESSÕES SOBRE O FANTASPOA 2011 PARTE 1

Depois de um tempo em recesso com este famigerado blog, eis-me aqui na ingrata tarefa de tentar passar a limpo as duas semanas do festival. Para variar sempre acabo perdendo algumas sessões, o que é completamente normal (duvido que alguém consiga assistir todos os filmes que tenha planejado antecipadamente), mesmo assim foi a edição que mais vi filmes!!! Bom, vou fazer um rápido resumo dos filmes que vi. O mais curto, grosso e estúpido possível. Como diria o filósofo JOEY RAMONE: hey ho, let's go!


ENTREI EM PÂNICO AO SABER O QUE VOCÊS FIZERAM NA SEXTA-FEIRA 13 DO VERÃO PASSADO 2 - A HORA DA  VOLTA DA VINGANÇA DOS JOGOS MORTAIS DE HALLOWEEN (2011) de FELIPE M. GUERRA - Depois de perder espetacularmente as sessões de A NOITE DO CHUPACABRAS do RODRIGO ARAGÃO, PÓLVORA NEGRA do KAPEL FURMAN, e o curta NINJAS do DENNISON RAMALHO, essa foi minha primeira sessão no festival (!!). Nessa continuação do original de 2001 o diretor continua na sua saga de paródias aos slashers, com o acréscimo ambicioso de fazer o exemplar mais gaudério do subgênero! destaque para a inusitada cena de morte com erva-mate, água fervendo e uma bomba de chimarrão (só vendo para crer) e a "versão gaúcha" de FELIZ ANIVERSÁRIO PARA MIM. Os personegens do primeiro filme retornam aqui para enfrentar uma nova onda de assassinatos que assolam o pacato interior do Rio Grande do Sul. Seria o mesmo psicopata da obra anterior ou um imitador? FELIPE GUERRA mostra-se afiado no timming, tanto das piadas quanto do tempo de projeção. Repleto de refêrencias ao cinema de horror, curiosamente a mais divertida e infame acaba sendo uma citação OFF-TOPIC: a de O GUARDA-COSTAS (sim, a bomba com o KEVIN COSTNER!!). A sessão comentada também foi divertida com a participação da dona OLDINA, a vó do diretor que tem uma participação interessante no filme. Uma beleza de sessão.

PERIGO: DIABOLIK (Danger: Diabolik, 1968) de MARIO BAVA - Aqui começa a retrospectiva do Bava pai e do Bavinha, com o qual acabei me ocupando completamente enquanto durou. Lendária versão para o cinema dos quadrinhos. Diabolik (JOHN PHILLIP LAW) é um super criminoso que com a ajuda de sua namorada, a extonteante Eva (MARISA MELL), coloca a polícia e o governo em polvorosa. Uma explosão de cores e psicodelia que engrandece numa revisão na tela grande. Sem contar a participação de caras conhecidas do cinema europeu da época como MIMICHEL PICCOLI, ADOLFO CELI e TERRY- THOMAS.


MATA, BEBÊ, MATA! (Kill, Baby, Kill! a.k.a. Operazione Paura, 1966) de MARIO BAVA - Obra-prima gótica que acabou influenciando gente como TIM BURTON, SCORCESE, FELLINI e LYNCH. A trama do fantasma de uma garotinha que acaba levando terror aos aldeões de um vilarejo remoto é carregado de clima e atmosfera. Sem muito o que comentar, eis um tesouro que fica obviamente melhor na telona!

WHIP AND THE BODY (La frusta e il Corpo, 1963) de MARIO BAVA - Outra obra-prima que dispensa maiores comentários e que me encheu de alegria em rever na telona. CHRISTOPHER LEE mais filha-da-puta do que nunca como o sádico nobre que insiste num caso doentio com sua antiga amada (a bela DALILAH LAVI), agora esposa de seu irmão (TONY KENDALL), ele acaba não dando descanso para moça mesmo depois de morto! Chibatadas do além-tumulo! Típica história gótica de fantasmas com tempero sadomasô. Destaque absoluto para a maravilhosa fotografia e os enquadramentos que fazem de cada cena uma autêntica pintura!

A MÁSCARA DO DEMÔNIO (La Maschera del Demonio, 1961) de MARIO BAVA - Para encerrar o primeiro dia (sim, foram quatro BAVAS no osso, sem descanso!), a estréia oficial do mestre nessa clássica versão do conto VIY de GOGOL. Marco do cinema italiano e clássico absoluto do horror mundial, foi delicioso ver BARBARA STEELE na telona como a maquiavélica Asa que retorna do mundo dos mortos para infernizar a vida de seus descendentes. Essa última sessão ganhou comentários de LAMBERTO que comentou sobre seu pai, e entre outras coisas, negou que tenha participado das filmagens de CANNIBAL HOLOCAUST, apesar de ter sido creditado como assistente de direção (o que acabou me dando uma idéia infame, mas falarei disso mais adiante). Depois teve a tradicional sessão de autógrafos, coisa e tal. E assim terminou o primeiro dia da retrospectiva BAVA. Um dia realmente maravilhoso!

LISA E O DEMÔNIO (Lisa and the Devil, 1974) de MARIO BAVA - Delirante viagem onírica da personagem título (interpretada pela bela ELKE SOMMER) a uma mansão e uma familía muito esquisita. destaque para TELLY SAVALLAS e seu indefectível pirulito (!!!). BAVA brincando de BUÑUEL! Sem dúvida sua obra mais surrealista. Mais uma vez chovendo no molhado: GENIAL!

BANHO DE SANGUE (Reazone a Catena a.k.a. Bay of Blood, 1971) de MARIO BAVA - O precursor dos slashers. Uma série de assassinatos em volta de uma baía, numa trama movida por cobiça. A própria série SEXTA-FEIRA 13 acabou sugando alguns elementos daqui. Simplesmente essencial para os fãs do cinema de gênero.


CÃES RAIVOSOS (Cani Arrabbiati a.k.a. Rabid Dogs a.k.a. Kidnapped) de MARIO BAVA - Um dos meus Bavas prediletos. Essa é a famigerada versão do LAMBERTO, com pequenas modificações e alguns enxertos. Polêmicas à parte, achei que não estragou o resultado final, o filme continua tenso e fodástico! A história dos três assaltantes que tomam um carro com reféns destilou tensão no cinema, numa aula de claustrofobia, e o final inesperado  acho que funcionou para aqueles que ainda não tinham visto essa obra de arte. Os comentários depois foram ótimos. Uma das melhores sessões do Fantaspoa desse ano em que estive sem dúvida!

ASSASSINO DA MEIA-NOITE (Morirai a Mezzanotte, 1986) de LAMBERTO BAVA - Terminada o ciclo do BAVA pai, comecei o do BAVA filho com esse Giallo/ Slasher que eu tinha visto um tempo atrás. Não é que o filme melhorou numa revisão na telona? Filme vagabundo que acabou me divertindo mais do que eu esperava!! Cheio de clichês e alguns absurdos, foi um bom passatempo. Depois minha intenção era emendar com outro Giallo do bavinha: UMA LÂMINA NA ESCURIDÃO, mas como acabei num bar bebendo cachaça e chopp, acabei perdendo essa sessão!

PRESSÁGIO (Presagi, 2010) de LAMBERTO BAVA - Giallo feito para a tv italiana sobre uma moça (paranormal ANDREA OSVART) cujo os sonhos pode levar a desvendar um mistério sobre uma garotinha desaparecida. Filmezinho ruim que pode até divertir, se você der um desconto e várias parcelas como eu fiz. Há quem aproveitou para tirar um cochilo na sessão. Sem contar a inevitável sensação de plágio de DON'T LOOK NOW (1973) do NICOLAS ROEG, fato obviamente negado pelo nosso simpático picareta italiano.

O QUEBRA-CABEÇA (Body Puzzle, 1992) de LAMBERTO BAVA - Mais um slasher ruinzinho do bavinha. Filme que vai aos trancos e barrancos sobre um serial killer que ronda uma bela viúva (JOANNA PACULA). O final ainda tem a audácia de dar uma surpresa completamente inverossímil. Ou seja, desligue o cérebro e divirta-se.


DEMONS - OS FILHOS DAS TREVAS (Dèmoni, 1985) de LAMBERTO BAVA - Encerrando o ciclo do clã BAVA esse clássico da bagaceira oitentista! Não há muito o que comentar, quem ainda não viu não sabe o que está perdendo! A sessão foi maravilhosa, me senti transportado para os anos 80, com o público se divertindo a beça com todo o gore e bobagens que tem direito! Depois teve a tradicional sessão comentada e a última sessão de autógrafos do LAMBERTO. Como brincadeira final levei o meu DVD do CANNIBAL HOLOCAUST para o homem autografar!! Apesar de renegar o trabalho ele levou na esportiva! Hehehe.

Bom, vou ficar por aqui, amanhã comentarei o resto...

   

         



Escrito por Blob às 14h06
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RYAN DUNN

(1977-2011)

Sim, aquele do JACKASS que enfiava um carrinho de brinquedo no reto, te lembrou? Poisé ,morreu num acidente de carro...




Escrito por Blob às 13h39
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R. I. P. ANAL CUNT

SETH PUTNAM

(1968-2011)



Escrito por Blob às 13h37
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PARA ESTRAGAR TEU DIA...

Curtinha tosco gravado numa madrugada fria e estrelada por dois desocupados (eu e o DOUTOR INSEKTO).



Escrito por Blob às 15h57
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MASSACRE

(1989)

de ANDREA BIANCHI

Eu estava ansioso para ver essa bagaça por dois motivos: o primeiro é que este é o filme cuja algumas cenas foram reaproveitadas no genial A CAT IN THE BRAIN (1990) do grande LUCIO FULCI, provando que com uma colagem de filmes ruins se pode obter um resultado positivo. O outro motivo é o próprio diretor ANDREA BIANCHI, um cara capaz de realizar um Giallo deliciosamente vulgar como NUDE PER L'ASSASSINO (1975) e o "clássico" NIGHTS OF TERROR (1981), simplesmente um dos "melhores" piores filmes de zumbi de todos os tempos!! Sim, BIANCHI para mim está naquele nível de gente como BRUNO MATTEI e LUIGI BATZELLA, mestres em fazerem merdas divertidas.

Antes de mais nada é sempre bom lembrar que se você é daqueles que gosta de filmes redondinhos, com roteiro inteligente e acabemento técnico profissional, então é melhor parar de ler por aqui e voltar para o seu Playstation 3. MASSACRE (ou MASSACRO, como acabou sendo lançado em video na Itália) é um Giallo/slasher dos mais vagabundos. A tranqueira começa com um serial killer esquartejando uma prostituta em uma autoestrada em plena luz do dia (cena que seria reaproveitada e "reeditada" em A CAT...). Depois corta para uma cena noturna, aonde vemos várias figuras vestidas de monges se reunindo num círculo em volta de uma fogueira em um cemitério (!), logo uma moça que estava desacordada atrás de uma árvore perto do círculo acorda e se junta aos seres esquisitos, logo descobre que eles são criaturas monstruosas (destaque para as vexatórias máscaras carnavalescas!). A essa altura o espectador se encontra confuso, pois nada até agora fez sentido algum!!! Até que alguém grita corta, e descobrimos que toda a ladainha no cemitério é uma filmagem tosca. Logo acabamos acompanhando  a equipe de filmagem, com direito a reuniões da equipe e xiliques de egos. Mas peraí, e o crime lá no comecinho? Poisé, um serial killer anda matando garotas na região aonde os manés estão rodando o filme (é claro!), um policial (GINO CONCARI) acompanha as filmagens, mas ele parece menos interessado em investigar, do que papar a atriz principal (PATRIZIA FALCONE), com quem têm um romance. Nesse meio tempo, a equipe acaba sendo submetida a uma sessão espírita (!!!) como trabalho de campo. Durante o ritual eles invocam o espiríto de um serial killer chamado Jack (o estripador???). Bom, até aqui se passou metade do filme, e fora o assassinato no início não aocntece nenhuma morte, mas BIANCHI rechea essa pasmaceira com cenas de nudez gratuita e subtramas absurdas e diálogos ridículos (como a lésbica que canta a protagonista: "você já transou com mulher?" pergunta a garota apaixonada. "Uma vez", responde  a outra, "mas eu tinha oito anos e ela sete". Puta merda!!). É na segunda metade do filme que ele engata de vez com todo mundo sendo morto sistematicamente pelo misterioso assassino, até a conclusão sobrenatural e completamente ridícula (e não vou fazer spoiler para não estragar a piada). Não falta aqueles finais falsos à la ARGENTO, e a cena final é simplesmente patética.

Como era de se esperar as cenas mais toscas e divertidas foram espertamente surrupiadas por LUCIO FULCI em A CAT IN THE BRAIN, sendo assim quem, como eu, viu o filme do FULCI primeiro, vai se estrepar, pois a pouca coisa que sobrou. MASSACRE simplesmente não faz jus ao título, recheado de pontos mortos e cenas dispensáveis (como a cena do cara fazendo cross-dressing), só escapa da monotonia completa graças a nudez da mulherada (se você não se interessa por mulher pelada corre o risco de terminar o filme babando no mais profundo sono) e uma ou outra situação vergonhosa. Não se pode deixar de citar a trilha e os penteados completamente datados. Assim como a já citada cena de exorcismo aonde a atriz que interpreta a médium (ANNA MARIA PLACIDO em seu segundo dos três filmes que fez na vida) capricha nas caretas hilárias. 

Embora seja ruim até a medula, infelizmente não chega ao nível de NIGHTS OF TERROR, este sim um filme cuja a ruindade o torna completamente impágavel! Claro que como curiosidade serve como espiada, isto se você for interessado em eurohorror, caso contrário passe longe... 

 

 

 

       



Escrito por Blob às 13h45
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Claro que existe uma infinidade de outros exemplos. Fiz apenas uma rápida e pequena seleção para não deixar a data passar em branco...

FELIZ DIA INTERNACIONAL DA PROSTITUTA

 



Escrito por Blob às 14h24
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THE KILLER SNAKES

(She Sha shou)

de KUEI CHI-HUNG

(1974)

Desde tempos remotos que cobras causam medo e repulsa nos ocidentais. Graças talvez à nossa cultura judaico-cristã, afinal a serpente é o primeiro "avatar" do mal que aparece na tal Bíblia Sagrada (portanto muito antes das cabeças de bode, que hoje enfeitam as capas de discos de Black Metal). Os orientaos como se sabe não tem tantos pudores com esses répteis, pelo contrário! Os indianos por exemplo, idolatram as serpentes, enquanto os chineses os apreciam como iguarias (inclusive eles adoram um ensopado à base de pênis de cobra! Você encararia?). Agora o que esperar de um filme daquele subgênero conhecido como "horror animal" filmado em Hong Kong? Nada de CGI (mesmo o porque o filme é dos anos 70), bichinhos de brinquedo ou cobras e humanos filmados em separado para depois a edição nos lograr. Não! O que se espera é a interatividade entre todos, e nisso o filme não decepciona! Pelo contrário traz ainda de bônus uma alta carga de nudez e depravação, transformando este num  dos exemplares mais sádico do subgênero.

Na verdade o filme é uma espécie de variação oriental do clássico BEN (1972) de PHIL KARLSON (que teve uma versão eficiente, mas pouco vista, em 2003: WILLARD de GLEN MORGAN), com algumas diferenças significativas além da troca de ratos por cobras (e da ausência, é claro, da trilha mela-cueca do MICHAEL JACKSON). Aqui seguimos a rotina de um zé mané (KWOK-LEUNG GAN, que depois se tornaria produtor de programas televisivos!), que vive num barraco numa favela em Hong Kong, ele vive de subempregos e como se não bastasse suas condições paupérrimas ele é maltratado por todos, inclusive apanhando e sendo roubado, a única pessoa que o trata com um pouco mais de dignidade é uma jovem que trabalha na feira (LIN LI LI a.k.a. MAGGIE LEE LAM LAM), quando o pai desta morre ela se vê obrigada a cair na prostituição perdendo contato com o pobre rapaz. Neste meio há no lado do barraco do protagonista uma espécie de loja que utiliza cobras como medicamentos (!!!), quando uma das serpentes escapam da loja, o bicho entra na casa do jovem através de um buraco na parede. O nosso protagonista percebe que o réptil está ferido e faz um ponto (em close!) no ferimento do animal, é o começo de uma grande amizade! Logo ele rouba as serpentes da loja, e com sua legião peçonhenta resolve se vingar dos malfeitores.

Produzido pela lendária SHAWN BROTHERS, famoso pelos seus filmes de artes marciais, este THE KILLER SNAKES  de 1974 (embora algumas fontes citem 1975) extrapola nos quesitos exploitation e cara-de-pau (o diretor faria para os irmãos SHAWN outros casca-grossas como THE BOXER'S OMEN (1983) e o clássico WIP: BAMBOO HOUSE OF DOLLS (1973)). Além das várias cenas com serpentes (e, para dar uma variada, uma sequência tosca e divertida com uns lagartos nojentos), a obra nos bombardeia com pervesão sexual! O próprio protagonista é um pervertido (em flashbacks descobrimos ele espiando sua mãe numa transa sadomasoquista!!), com várias fotos de mulher pelada nas paredes de seu barraco (algumas da musa japonesa REIKO IKE!!!), o filme mostra também abundante nudez feminina gratuita (mas, mais uma vez, nada de pentelhos!) e garotas amarradas (o famoso bondage). Para ser franco, nenhum personagem aqui é digno de simpatia, o filme é carregado de misoginia em cenários completamente decadentes. Mesmo assim (ou por causa disso) você acaba acompanhando a projeção com interesse até o fim. Mas voltando ao que importa: as cenas com as cobras realmente impressionam, em tempos em que até lagartixa é de CGI, ver os caras pegando as serpentes com a mão (sem sacanagem por favor!) e fazendo passeá-las pelo corpo, acaba se tornando algo inusitado. Curioso mesmo é uma cena em que um bando desses répteis vão atacar um velho: fica claro que as cobras não estão dando um bote nele, mas que estão simplesmente tocando as cobras para cima do homem de qualquer jeito!!! Chega a ser cômico!!

Resumindo: se você gosta de exploitation setentista, apelativo e sem-vergonha, e também gosta de filmes do tipo "horror com animais" eis seu filme! Feio, sujo e cara-de-pau. Recomendado também para aqueles que tem fobia por cobras, hehehe.

 



Escrito por Blob às 12h14
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PENSIONE PAURA

(1977)

de FRANCESCO BERILLI

Pelo título (PENSÃO SO MEDO) logo vem a mente um horror à italiana ou um Giallo sangrento, nem uma coisa e nem outra (embora contenha elementos do segundo, não chega a ser um em seu sentodo clássico), na verdade PENSIONE PAURA é um belo drama sobre o batido tema da perda da inocência, ou algo que o valha. Bom, sendo assim você logo deve pensar num filme sensível e lacrimejante, certo? Errado! O filme contém putaria e alguns momentos sangrentos o suficiente para satisfazer seu paladar sádico.

Estamos no fim da Segunda Guerra Mundial em algum lugar cravado no interior da Itália lá encontramos a adolescente Rosa (LEONORA FANI) que mora com a mãe Julia (LIDIA BIONDI) dona de uma pensão. Com a escola fechada por medo dos bombardeios a jovem se vê obrigada a ajudar a mãe na manutenção do estabelecimento por tempo integral, a garota também arranja tempo para escrever cartas para seu pai que foi para a guerra e ainda não regressou, a espera do soldado se mostra uma obssessão para ela. Como os tempos são duros as duas tem que se virar em época de racionamento e aturar a pouca, e asquerosa, clientela, aonde os hóspedes insistem em assediar Rosa, entre eles Rodolfo (LUC MERENDA fazendo o tipo latin lover, canalha e canastrão com direito a bigodinho!), um escroque que vive com uma mulher mais velha (JOLE FIERRO) e que persegue nossa protagonista pelos corredores da pensão constantemente na pretensão de seduzi-lá, há ainda outros hóspedes peculiares como o  velho tarado q2ue perdeu a família num bombardeio, ou o gordo que passa o filme inteiro bêbado farreando com duas irmãs gostosas. Fora que mãe e filha ainda tem que esconder num quarto um desertor, que é também amante de Julia (FRANCISCO RABAL, que chegou a trabalhar com BUÑUEL). Seguindo a lei de Murphy, aquela em que nada é tão ruim que não possa piorar, a mãe de Rosa morre num acidente: quebrando o pescoço numa queda. Sozinha e tendo de administrar o negócio familiar (e se desvencilhar das investidas dos tarados) ela recebe como hóspedes duas figuras com pintas de mafiosos e descobre uma maracutaia deles com rodolfo, que pretende roubar as joias de sua senhora e fugir para a Suiça. Mas as coisas degringolam de vez quando Rodolfo finalmente estrupa Rosa, com a ajuda da namorada, e no meio da noite o casal é brutalmente assassinados por uma figura misteriosa de capa e chapéu (o elemento Giallo!). Isso acaba desembocando em situações de tensão que concluíra com uma matança.

 

Embora o diretor tenha alguns créditos na tv e outros tantos como ator, ele efetivamente só dirigiu dois longas: o clássico Giallo gótico e delirante IL PROFUMO DELLA SIGNORA IN NERO de 1974 (em que ele faz até uma citação  aqui, quando numa cena a protagonista coloca um vestido preto de bolinhas brancas igual a da protagonista do filme anterior) e este PENSIONE... (depois no cinema ele faria apenas um segmento no filme episódico SEMPRE AOS DOMINGOS (La domenica Specialmente, 1991)), uma co-produção entre Itália e Espanha (aonde chegou a ser lançado com o péssimo título de LA VIOLÁCION DE LA SRTA. JÚLIA). Do seu filme anterior BERILLI trouxe a ótima fotografia e a composição de belas imagens, assim como o ritmo lento e sem pressa de contar a história. Ele apresenta os personagens e o drama pessoal da protagonista, como que nos arrastando lentamente para dentro de um pesadelo cada vez mais louco e surreal(destaque para os vários momentos noturnos em que vemos a fachada da pensão com sua iluminação apenas através da porta e suas janelas logo acima, formando como que um rosto). Uma curiosidade é a presença de freiras como figurantes em algumas sequências na primeira metade do filme, principalmente na cena do cemitério, em que nossa órfã está no tumulo da mãe, e uma freira passa impassível, é como se o diretor mostrasse que os religiosos estão indiferentes à dor de Rosa, e qualquer dúvida a esse respeito é evaporada quando ela visita o padre local (que fornecia os ovos de sua granja para a pensão) e o mesmo se recusa a vender seus produtos fiado, mesmo sabendo de todo drama da jovem que administra uma pensão sozinha. 

Vale destacar a atuação de LEONORA FANI, que embora tivesse já seus 23 anos na época, convence como uma jovem adolescente que tem que tomar responsabilidades prematuramente ao mesmo tempo que sonha com o retorno do pai, além de nos brindar com várias cenas de nudez, incluindo a impactante cena em que é estuprada por Rodolfo, sequência que impressiona pela crueza.

Sem ser efetivamente um Giallo, e sim um filme que se desenvolve como drama assumindo um ar de mistério, suspense e violência apenas na sua meia hora final, PENSIONE PAURA é uma bela joia obscura que merece ser descoberta. Uma obra que pode ser interpretada como a pureza da adolescência em frente ao mundo corrupto dos adultos, tal qual os contos de fadas (não é a toa que lá pelas tantas uma personagem chega a comparar Rosa com chapeuzinho vermelho), ou até mesmo uma simples viagem de uam pessoas até sua insanidade. De qualquer forma um ótimo filme.


 



Escrito por Blob às 12h46
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Hoje seria o centenário do cara...

VINCENT PRICE



Escrito por Blob às 12h35
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Curta cômico-erótico francês de 1930 (algumas fontes citam 1928) de diretor desconhecido, no elenco a cantora e dançarina norte-americana naturalizada francesa Josephine Baker. Com apenas oito minutos de duração, conta a história de um bombeiro, que bêbado começa a "ver" mulher pelada por todos os lados (entenda "mulher pelada" por: nada de pentelhos, apenas bundas e peitos, OK). Vale pela curiosidade histórica. Com vocês:

LE POMPIER DES FOLIES BERGÈRES



Escrito por Blob às 15h44
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DEZ MINUTOS PARA MORRER

(10 to Midnight)

de J. LEE THOMPSON

(1983)

A filmografia oitentista de CHARLES BRONSON foi marcado pelas suas participações em produções da CANNON, a maior fábrica de filmes de ação B da época, e também pelas suas colaborações com o diretor J. LEE THOMPSON, este é a quarta união do diretor e o ator (no total de nove filmes) e o primeiro da dupla pela lendária produtora dos primos israelenses MENAHEM GOLAN e YORAM GLOBUS, e arrisco em dizer que é o melhor trabalho da junção dessa turma toda nos anos 80.

Aqui BRONSON interpreta Leo kessler, policial veterano que está no encalço de um serial killer que anda estripando mulheres pela cidade, para o caso ele ganha um novo parceiro, Paul McAnn (ANDREW STEVENS), um tira novato e idealista que, óbvio, baterá de frente com as crenças (na verdade a falta de) do nosso herói ao longo da investigação. Os problemas começam quando Kessler descobre que uma das vítimas do maníaco era amiga de sua filha (LISA EILBACHER), uma enfermeira que sempre se sentiu negligenciada pelo pai, que dava mais atenção ao trabalho do que a família, e que acabará se envolvendo com o parceiro de seu pai,  e que esta poderá ser a próxima na lista. O criminoso em questão é Warren Stacy (GENE DAVIS, que depois faria outro vilão na dobradinha BRONSON/THOMPSON em messenger of death DE 1988), um homem com problemas psquiátricos (capaz!) e com um modu operandis peculiar: ele ataca suas vítimas completamente nu, munido apenas de luvas cirúrgicas e uma faca. Já no começo do filme o moço mostra o quanto  é engenhoso: vai ao cinema (que está passando o clássico BUTCHY CASSIDY AND THE SUNDANCE KID (!!!)) e incomoda duas garotas para garantir o álibi, em meio à projeção ele escapa pela janela do banheiro e vai até um parque atacar um casal que se encontra em plena cópula dentro de um furgão, ele mata o rapaz dentro do carro e depois vai correndo mato à dentro, atrás da moça nua numa cena bem interessante típica dos slashers (vale lembrar que o diretor THOMPSON já tinha realizado, dois anos antes, o emblemático FELIZ ANIVERSÁRIO PARA MIM), feito o serviço ele retorna ao cinema pela janela antes do término da sessão!! Claro que Kessler desconfia do sujeito de cara, mas graças as incoveniências legais de praxe (testemunhas que consolidam o álibi, falta de provas materiais, essas bobagens todas) nosso geriátrico herói sente que o meliante vai lher escapar entre os dedos, numa medida drástica Kessler forja provas colando uma mostra de sangue de uma das vítimas na roupa do suspeito (a cena em que informam o vilão da acusação chega a ser cômica: ele tem um ataque de fúria, pois afinal, essa seria justamente a mancada que não daria, já que ataca pelado!!). Mas, graças a pressão de seu parceiro caxias,  o policial veterano volta atrás e confessa que tinha plantado as evidências na esperança de enquadrar o sujeito, com Warren solto, kessler (agora sem o emprego) acaba perseguindo o sujeito aonde quer que vá, mas isto não faz o psicopata desviar de seu objetivo: matar a filha do policial.

Embora BRONSON faça aqui seu papel habitual do velho herói cansado com as leis que aliviam a vida dos marginais e acaba criando seu próprio código de conduta ("esqueça o que é legal, faça o que é certo" , como diz o  próprio protagonista lá pelas tantas), o filme foge ao padrão habitual de produções estrelado pelo astro que tanto nos acostumamos, aqui não há a profusão de tiros e explosões em ritmo frenético, pelo contrário temos um ritmo lento que privilegia a tensão e o suspense. A história vagamente foi inspirada em dois psicopatas: RICHARD SPECK e TED BUNDY (GENE DAVIS até tem uma semelhança  fisíca com BUNDY, com a principal diferença de que o assassino da vida real tinha uma lábia que todas as mulheres caiam, enquanto o nosso Warren aqui é sistematicamente rejeitado). Na verdade o que temos aqui é um interessante mix de thriller policial com slasher, a trama vai crescendo devagar até o clímax final, o ataque  do  vilão ao dormitório do hosptal, aonde reside a filha do herói. Sequência em que o diretor constrói um suspense de primeira linha! destaque também para o elenco secundário aonde temos caras manjadas do cinema oitentista como KELLY PRESTON, WILFORD BRIMLEY e GEOFFREY LEWIS.

Quem for procurar aqui uma aventura brucutu vai quebrar a cara, ou vai se surpreender com um suspense bem construído, em que não falta sangue e nudez. E para finalizar não poderia deixar de citar a impressão deixada pela emblemática cena final: a de que o homem jamais foge de sua natureza, ou seja, mesmo num filme atípico ao seu currículo, BRONSON sempre será BRONSON!

 



Escrito por Blob às 11h46
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ALGUNS RELATOS SABOROSOS SOBRE TRAVESSURAS DO GENIAL LUIS BUÑUEL (1900-1923).

SEGUNDO SEU PRÓPRIO FILHO.

EXTRAÍDOS DE UMA ENTREVISTA COM JUAN-LUIS BUÑUEL:

"Na espanha, no início do século, entre 1915 e 1920, havia um ponto de encontro de intelectuais e de estudantes. Era "La residencia", em Madrid. EINSTEIN, por exemplo, vinha dar palestras, e FREUD, filósofos e cientistas vinham dar palestras, e lá meu pai foi estudar engenharia agrícola por que o pai dele queria que ele tivesse um trabalho decente. Ele estava mais interessado em literatura e poesia, mas, afinal estudou insetos. Ali ele  encontrou, por sorte um jovem poeta chamado FEDERICO GARCÍA LORCA e um jovem pintor, SALVADOR DALÍ. Ficaram inseparáveis, três amigos que se influenciavam uns aos outros e que pouco a pouco ficaram surrealistas antes, digamos de ouvirem falar do movimento surrealista em Paris. Claro que também fizeram coisas de contestação social. Por exemplo: uma amiga deles se vestia como prostituta. Ela subia no bonde, no centro de Madrid e, na parada seguinte um deles, LORCA ou DALÍ, vestido de padre, subia no bonde e começava a molestar essa jovem prostituta. Era um escândalo! E na terceira parada meu pai, vestido de policial, subia e agarrava o padre e batia nele gritando: "por que padres sempre estão perseguindo prostitutas nas ruas?", o bonde todo ficava chocado. Eles desciam e iam beber juntos num bar".

Sobre a lendária cena do olho mutilado em close em UM CÃO ANDALUZ:

"Compraram uma cabeça de bezerro, a maquiaram e cortaram o olho. meu pai quase desmaiou porque foi horrível. Por que essa cena ainda abala e choca as pessoas? Porque é uma cena chocante e a impressão é que isso está sendo feito ao espectador. Quando se vê aquela navalha cortando o globo ocular e o interior do olho espirrar, isso choca a todos. Sempre chocará".

Sobre BUÑUEL e CHAPLIN:

"A filha de CHARLES CHAPLIN disse que ele gostava de UM CÃO ANDALUZ. Ele tinha uma cópia do filme e sua própria sala de projeção e seu projecionista era chinês. Ele via o filme, de vez em quando, e cada vez que a cena aparecia (a do olho citado acima), ouvia-se um barulho. Bump! Era o chinês que desmaiava e tinha que ser socorrido".

"Meu pai conheceu CHAPLIN em Hollywood, nos anos  30. Ao vê-lo, um dia, CHAPLIN disse que tinha visitantes da Europa e oconvidou para a ceia de Natal. Haveria uma grande árvore e a única condição era trazer um presente para ser colocado sob a árvore. À meia-noite cada um pegaria um pacote diferente e todos teriam presentes. Meu pai achou isso muito  burguês, bobo e infantil. Mas ele foi, com um outro amigo espanhol e levaram seus presentes. No jantar, ao lado da enorme árvor, meu pai disse que quando acenasse com o lenço, os dois se levantariam e derrubariam a àrvore e pisariam em todos os presentes. No meio do jantar ele tirou o lenço e foram até a árvore, a derrubaram e pisaram nos pacotes. CHAPLIN os pôs para fora da casa. Eles deviam ter bebido. Uma semana depois, meu pai reviu CHAPLIN e CHAPLIN disse que fosse jantar naquela noite mesmo, que estava tudo bem, sem ressentimentos. Eles foram e, ao entrar, viram a árvore de Natal. CHAPLIN disse: "LUIS, derrube a árvore agora, assim jantaremos tranquilamente". Riram muito  e jantaram bem, com muito gim".

Agora se você nunca assistiu o clássico UM CÃO ANDALUZ (Un Chien Andlou, 1929), não há mais desculpas seu herético de merda:



Escrito por Blob às 10h50
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O ESPÍRITO ESCARLATE

(The Crimson Ghost)

de FRED C. BANNON e WILLIAM WITNEY

(1946)

Lendário e saborosamente ingênuo seriado feito pela Republic, divido em 12 episódios, ficou famoso por ter seu personagem principal virado mascote da banda MISFITS (e, antes que me perguntem, acho que os músicos NÃO pagaram direitos autorais, hehehe), além de ter inspirado outras figuras como o Caveira, do extinto programa TV PIRATA.

Assim como reza a cartilha de clichês do formato Crimson Ghost (ou Espírito escarlate como ficou conhecido aqui no Brasil,sim não se deixe enganar pelo preto e branco e nem pelos cds do MISFITS, o manto original do vilão é vermelho!!!) é um temível criminoso mascarado de mente tão brilhante como insana, ele acaba roubando uma geringonça chamada Ciclotrode X, que pode danificar quaquer objeto de locomoção próximo de si (semelhante a quinquilharia usada pelo vilão Wizard no seriado BATMAN & ROBIN realizado três anos depois), mas como sempre, seus planos são sistematicamente arruinados por uma pedra no sapato, o herói do seriado: um cara chamado Duncan Richards (CHARLES QUIGLEY), sujeito versátil que é cientista perito em física e criminalista (!!!), auxiliado pela jovem cientista bonitinha Diana (LINDA STIRLING), que aqui desempanha bem a função da mocinha dos velhos seriados: soltar uns berros e se meter em encrencas. Caberá ao mocinho acabar com os planos do cara de caveira e descobrir sua verdadeira identidade.

  

Assim como havia vários seriados estrelados por super heróis dos quadrinhos e da literatura pulp, também havia espaço para os seriados em que a atração era o exótico vilão mascarado, como é o caso aqui. O que me impressiona mais nesse velho formato é a dinâmica da coisa: mal um plano do bandido dá errado, logo ele tinha uma carta na manga e parte para a próxima empreitada, afinal, como os episódios (com honrosa exceção do primeiro capíulo, geralmente mais longo) não chegavam aos quinze minutos, não havia tempo para chorar o leite derramado tinha que arranjar um jeito logo para botar o herói em apuros e... o resto só na próxima semana! Óbvio que no resgate digital ficou barbada acompanhar os seriados, e se você se interessa por cinema de baixo orçamento e nunca viu nenhum, não sabe o que está perdendo! Afinal esses seriados ajudaram a formar as bases para a cultura pop do século XX (ao lado da literatura pulp, do rock, das drogas e do bikini),afinal o que seria das novelas de rádio, seriados de tv e até nossas telenovelas se não fossem por eles? Vale citar a bela homenagem que IVAN CARDOSO faz ao gênero em seu divertidíssimo O ESCORPIÃO ESCARLATE.

Outra coisa interessante em relação ao THE CRIMSON GHOST, é o fato de vilão dispor de um colar que transforma as pessoas em praticamente em zumbis sem vontade própria (assim como no seriado BATMAN de 1943), com o acréscimo de a vítima quando tira o colar acaba morrendo (!!). Vale notar isso: os vilões dos seriados são capazes de criarem as geringonças mais inacreditavelmente foda, mas sempre tem aqueles artefatos mais fodões que eles não se prestam a tentar construir e tem que passar uma trabalheira para roubar (OK, eu sei que se eles não tivessem que roubar não haveria seriado, hehehe). Claro que aqui não pode faltar aqueles momentos maravilhosamente toscos: como logo no início do primeiro capítulo, numa reunião de cientistas, durante a demonstração do tal ciclotrode, um dos participantes solta a seguinte pérola: "não vi nada tão maravilhoso desde a vez em que caiu a bomba em Hiroshima!" (PUTA QUE PARIU!!!).

Assim como outros seriados esse também foi amaldiçoado por um lançamento condensado em 93 minutos (sendo que na íntegra tem 167 minutos!), como se fosse um filme normal, além de colorizado por computador!! Não se deixe levar e procura o formato original completo e no clorioso P&B. No fim das contas THE CRIMSON GHOST não se diferencia das demais séries de sua época, é puro formulismo com todos os clichês e ingenuidade que lhe é peculiar (mas afinal, é aí que está a graça!), com um vilão carnavalesco de ar fantasmagórico. Diversão garantida.

 

   

 



Escrito por Blob às 14h45
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