E aqui vamos nós para a segunda e última parte (claro que há muito mais, mas vou ficar por aqui). As capas abaixo são todas desenhadas por MARGARETE BRUNDAGE (a moça da foto ai de cima) para o WEIRD TALES (ela era apelidada de The Queen of the Wird tales!!!). Reparem como as mulheres, tanto em perigo quanto representando femme fatales, são mais do que um mero elemento exploitation nessas capas, são presença obrigatória! Por isso é interessante analisar esse fato nos traços feitos por uma! Sem contar que MARGARETE abusa da sensualidade de suas modelos, em temas bastante ousados para a época!!!
Como todos devem estar carecas de saber pulp era um termo pejorativo nos U$A para os livros, geralmente coletâneas de contos (pulp magazines), sejam policiais, de terror, mistério, ficção, fantasias, faroestes, etc., vendidos em tabacarias, feito com papel de qualidade inferior e a preço de banana, por ser de apelo popular, eram considerados literatura menor. A época de ouro dos pulps foi nas décadas de 30 até meados dos 50. Hoje boa parte destas historietas baratas são consideradas de valor inestimável, revelou nomes importantes da literatura norte-americana do século xx como: RAYMOND CHANDLER, DASHIELL HAMMET, ROBERT E. HOWARD (para quem não sabe o cara que criou o CONAN) e H. P. LOVECRAFT (simplesmente o maior escritor do fantástico e do horror do século passado!). A importância dessas obras transcedeu a literatura, marcando profundamente o cinema (o que seria dos film noirs e dos Gialli que bebiam direto da fonte? E dos sci-fi B dos anos 50? E do terror e exploitation? E, claro, TARANTINO), deixou suas marcas nos quadrinhos (os quadrinhos de terror da EC Comics) e na música (o rock'n'roll, principalmente bandas como THE CRAMPS e todo o movimento Psychobilly que se seguiria...). Ou seja os Pulps revirou a cultura pop de pernas pro ar.
Abaixo coloco algumas capas destas coletâneas com o nome de seus respectivos desenhistas (que eram muito fodas!) antecedendo as artes. As datas abaixo dos desenhos correspondem ao ano em que os livros foram lançados. OK.
RUDOLPH ZIRM
(1894-1952)
(1934)
RAPHAEL DESOTO
(1904-1992)
(1935)
JOHN DREW
(1884-1953)
(1937)
LAWRENCE STERNE STEVENS
(1884-1960)
(1949)
Abaixo a lendaria WEIRD TALES. Uma das séries mais famosas e clássicas de todas! revelou nomes como ROBERT E. HOWARD e LOVECRAFT (reparem que na capa anuncia um conto dele):
VIRGIL FINLAY
(1914-1971)
(1952)
Na próxima postarei mais capinhas legais. Até mais.
Nada como uma boa idéia executada com maestria... o desenhista alemão MATTHIAS SCHULTHEISS adaptou para os quadrinhos oito contos de CHARLES BUKOWSKI, o meu escritor preferido. Lançado originalmente em dois volumes nos anos oitenta (edições raríssimas. Disputado a tapas por colecionadores...) e reeditado em volume único em meados do ano passado (eu, como sempre atrasado, consegui um exemplar neste final de semana que passou). MATTHIAS é um cartunista premiado e reconhecido no meio das hqs undergrounds (teve alguns de seus trabalhos lançados aqui no Brasil nos 80's na saudosa revista ANIMAL), ele soube traduzir aqui em traços firmes o texto caústico do velho safado. O lado feio, sujo e malvado do american way of life, que geralmente é jogado para baixo do tapete, mas escancarado pelo grande Buck. A grande sacada do alemão é não reinventar a roda, isto é, traduzindo fielmente em imagens e mantendo praticamente intacto o texto original. Assim vira um deleite ver quadrinizados contos como: "Kid Foguete no Matadouro", "A Puta de 135 Quilos", "Henry Beckett", "Um Trabalho em Nova Orleans" e mais quatro maravilhas. Na minha humilde opinião MATTHIAS SCHULTHEISS conseguiu traduzir o universo do escritor (repleto de todo tipo de perdedores, prostitutas, bêbados, brigas, desemprego, etc.) de forma ainda mais efetiva do que ROBERT CRUMB, claro que isso não é pouco!!! Ouso inclusive afirmar que esse universo maldito cheio de desilusão, cinismo e vinho barato, foi melhor adaptado aqui que nas suas versões cinematográficas! Nunca a sarjeta foi tão bem ilustrada. Uma jóia finíssima!
Calor insuportável por aqui e nada como uma cerveja bem gelada! Em homenagem à sagrada cevada, vai ai um videoclip de uma das mais notórias bandas de bebuns do metal! Com vocês... TANKARD!!!
Quem, na casa dos 30, não se lembra do clássico da Sessão da Tarde ELVIRA, A RAINHA DAS TREVAS? Com a carismática personagem-título, que era figurinha carimbada na tv norte-americana apresentando sessões tipo cine trash, interpretada por CASSANDRA PETERSON. Agora para matar saudades resolvi mostrar a atriz de forma, digamos, mais íntima (o que? Você não sabia que na verdade ela era ruiva???).
Calor escaldante, cerveja gelada, e lá vou eu assistir um filme feito, aparentemente, para agradar ogros: imagine: três gostosonas com seios fartos e boas de brigas se metendo em confusões e contravensões no causticante sol do deserto... você deve estar pensando: perai, já vi isso antes... FASTER, PUSSYCAT! KILL! KILL! clássico absoluto do RUSS MEYER, certo? Errado! O filme aqui em questão é BITCH SLAP, bagaça de RICK JACOBSON (cara que tem em sua ficha corrida episódios de seriados televisivos como HERCULES, XENA e BAYWATCH).
Os créditos iniciais dá uma idéia geral da coisa: trilha rock'n'roll e colagens de clássicos expolitations como THRILLER (1974) de BO ARNE VIBENIUS (com a maravilhosa CHRISTINA LINDBERG), COFFY (1973) de JACK HILL, além do próprio FASTER, PUSSYCAT..., entre vários outros, um painel variado que vai de BETTE DAVIS a BETTY PAGE! Ou seja: BITCH SLAP ousa em ser um tributo bagaceiro aos maravilhosos, e não menos bagaceiros, trash movies dos 60's/70's. Tanto que tem gente se referindo a esse filme como retro trash!!! O lance é que além dessas referências, JACOBSON acabou mesclando-as com algumas influências contemporâneas como TARANTINO e ROBERT RODRIGUEZ (óbvio, né, já que os caras costumam beber nessa mesma fonte também) e... ZACK SNYDER!! O resultado: uma salada indigesta que ficou aquém do esperado por esses mesmos motivos: em primeiro lugar: JACOBSON não é RODRIGUEZ (e muito menos TARANTINO!) e em segundo: copiar as tomadas e maneirismos de SNYDER... se o original já é ruim o que esperar da cópia?
A trama? Ah, sim... ia me esquecendo... temos um trio de belas garotas duronas formadas pela morena Trixie (JULIA VOTH), a latina Camero (a atriz e cantora (???) AMERICA OLIVO) e a ruiva e mandona Hel (ERIN CUMMINGS, que se esforça nas caretas mas não chega nas unhas pintadas de TURA SATANA). As três vão até um fim-de-mundo no meio do deserto em busca de uma fortuna em diamantes que pertecem a um poderoso criminosos chamado Gage (MICHAEL HURST), detalhe: elas levam o próprio bandido no porta malas do carro! Não demora muito e Camero mata Gage, aparece um tira, elas descobrem um cadáver enterrado, outros bandidos acabam aparecendo no local... enfim, um fiapo de história que vai aos poucos revelando o passado das personagens e gerando surpresas e reviravoltas (o velho recurso das elipses narrativas bem ao gosto de TARANTINO). Lá pelas tantas quando o filme está começando a ficar tedioso é que rola as reviravoltas mais bizarras, ridículas e absurdas... daí a coisa melhora um pouquinho...
Claro que as garotas são bissexuais, o que garante pelo menos uma cena quente entre Trixie e Hel. Claro que o filme mostra diversos closes dos decotes generosos das mesmas. Claro que as cenas em que elas se banham com baldes de água para se refrescarem do calor são filmados em slow motion, com cara de ensaios sensuais. Claro que há várias cenas em que elas lutam entre si. Agora, apesar de tudo isso, feito exclusivamente para aumentar minha testosterona, acreditem, o filme não funciona como deveria! Com locações feitas no deserto, mas os flashbacks são, como em SIN CITY, feitos em cenários de CGI, propositavelmente exagerados em suas artificiailidades o que me cansa um pouco... embora há uma cena que se passa nos alpes suiços (!!!) que achei bem divertido de tão fake, afinal o que dizer de uma garota que usa shortinho no meio de uma nevasca! Também vale destacar as participações de KEVIN SORBO (sim, o HERCULES em pessoa!) como o misterioso sr. Phoenix e da neozelandesa LUCY LAWLESS (sim, a XENA em pessoa! Que segundo as más línguas, antes de seguir carreira como atriz (e agora cantora), era bem famosa no submundo da Nova Zelândia como dominatrix!!!) aqui como uma madre superiora, o que faz com que ela oculte seus verdadeiros "dotes"!
Irregular até o talo, BITCH SLAP não cumpre o que promete e acaba afundando em suas próprias pretensões. O diretor mostra que gosta do cinema exploitation, na mesma medida que mostra que não tem a mão para transformar o material que tem em algo realmente divertido (aquela velha história: nem tudo que parece fácil realmente o é). Na boa, esse filme serve para dar saudades de PULP FICTION e KILL BILL e dos clássicos sessentistas/setentistas citados aqui. De qualquer modo sei que muitos irão vê-lo, nem que seja pelas peitudas... mas poderia ter sido bem melhor...
Embora lobisomens aparecessem no cinema mexicano, em pelo menos duas produções anteriores: LA CASA DEL TERROR (1960) de GILBERTO MARTÍNEZ SOLARES, com direito ao ícone LON CHANEY JR. como o hombre lobo, e FRANKENSTEIN, EL VAMPIRO Y COMPAÑÍA (1962) de BENITO ALAZRAKI, essas duas produções são na verdade comédias que satirizavam os velhos e surrados clichês do horror. Por isso LA LOBA é considerado o primeiro filme mexicano efetivamente de terror a explorar o mito da licantropia. Dirigido pelo polivalente RAFAEL BALEDÓN, que com uma extensa ficha corrida de mais de noventa títulos, atirou para todos os lados: comédias, melodramas e, claro, o terror (aonde há em sua filmografia alguns clássicos do gênero made in mex como: EL PANTANO DE LAS ÁNIMAS (1957), EL HOMBRE Y EL MONSTRUO (1959), ORLAK, EL INFIERNO DE FRANKENSTEIN (1960), MUSEO SEL HORROR (1964)). Esse LA LOBA (também conhecido pelo subtítulo LOS HORRORES DEL BOSQUE NEGRO e pelos títulos em inglês SHE-WOLF ou THE WOLF WOMAN) é estrelado por uma estrela mexicana da época: a bela KITTY DE HOYOS, considerada uma musa no território mexicano, aonde é comparada até com BRIGITTE BARDOT e MARILYN MONROE (!!!), além de ser a precursora em cenas de nudismo no México (não se assanhem, pois aqui, infelizmente, não aparece nada de mais!). Embora tenha sua importância histórica e seja supostamente um filme sério de terror, LA LOBA é carregado, pelo menos para mim, de um humor involuntário, seja por causa da maquiagem precaria, seja pelo roteiro, muy pobrecito por sinal, que nos da, em alguns momentos, algumas soluções dignas dos mais ridículos filmes Bs.
A trama gira em torno de Clarisa Fernandez (DE HOYOS), uma bela e abastada jovem, filha do professor Fernandez (o calejado, com mais de 180 filmes no currículo, JOSÉ ELIAS MORENO, aqui com um bigode que em alguns momentos nos faz lembrar nosso infame JOSÉ SARNEY!) e que mora numa bela mansão de tons góticos. Apesar de rica e bonita ela tem um problema que pode afastar quase qualquer pretendente: nas noites de lua cheia a moça se transforma em lobisomem (ou seria lobismulher? Sei que a palavra não tem gênero, mas mesmo assim...). Como escrevi ai: pode afastar quase qualquer pretendente, pois, sempre há um maluco, no caso o dr. Alejandro Bernstein (JOAQUÍN CORDERO que trabalhou em mais de 200 títulos!). Paralelo a isso a polícia local se vê louca para capturar o monstro que anda fazendo vítimas nas redondezas, devorando seus corações. Os tiras acabam prendendo um misterioso andarilho (NOÉ MURAYAMA), que com um visual de cigano perambula pelo bosque local com seu inseparável cão branco. Na cadeia descobrem que esse homem misterioso, é na verdade um estrangeiro que perambula mundo afora com a missão de matar lobisomens!!! Embora simples como arroz-com-feijão, o roteiro se da ao luxo de algumas extravagâncias como mostrar o prof. Fernandez, no começo um cientista sério que estuda a licantropia, possuir um laboratório típico de cientista louco! E, como se não bastasse, o filme ainda inclui lá pelas tantas mais um lobisomem para complicar as coisas para os reles mortais (destaco aqui a maquiagem deste hombre lobo, que aperece aqui com uma cabeleira desgranhada, mais parecendo um homem das cavernas!!!). Outro fator importante: aqui se toma uma liberdade quanto a mitologia do lobisomem: ao invés de bala de prata, para se aniquilar a criatura é preciso esfaqueá-la com uma faca de marfim!!!
Visto hoje LA LOBA pode ser encarado como uma charmosa produção trash. O filme inicia bem com tomadas noturnas e bem climáticas de um cemitério, aonde vemos o lobisomem emergir de dentro de um túmulo (!!!) e de cara mata três pessoas que se aventuram pelo bosque de madrugada. O detalhe é que, além da fantasia ridícula (como levar a sério um licantropo com uma pelugem que parece de cão sarnento, com direito a rabo e tudo mais, e uma longa cabeleira loira!!!), a criatura em seus ataques dá saltos acrobáticos que nem seus conterrâneos da lucha libre conseguem dar!! O túmulo se explica pelo seguinte: toda vez que a moça vai se transformar ela é presa em seu quarto aonde o serviçal da casa abre uma passagem secreta para a besta seguir um túnel que sai no cemitério, ou seja, toda vez que Clarisa se transforma, fazem com que a fera se afaste das dependências da mansão (sabe aquela velha filosofia: vou me salvar e o resto que se dane? Pois é, esses burgueses...). A bela KITTY DE HOYOS (1941-1999) também é mal aproveitada aqui, utilizada mais como enfeite do que qualquer outra coisa (culpa do roteiro que não se aprofunda na protagonista, bem justiça seja feita, o roteiro não se aprofunda em nada! nivelando as situações por baixo), limitando-se a caras e bocas numa participação limitada (por incrível que pareça, alguns personagens secundários acabam tendo mais destaque que ela!). Quando afirmo que a moça é mal aproveitada, ela realmente é MAL APROVEITADA mesmo, pois nem cenas de nudez há aqui! Toda vez que ela fica pelada, há um corte e tudo fica subjetivo (merda!). Outra coisa engraçada neste filme é a participação de uma personagem, uma garotinha surda-muda, que insiste em sair sorreteiramente para a rua nas madrugadas! Apenas para a criança estar em perigo e ser providencialmente salva no último minuto. Esse artifício, aqui usado de forma um tanto capenga, de se criar suspense, me remeteu aos antigos seriados que havia nas antigas sessões de cinema, e que antecediam o filme principal. Tanto que, quando a guria estava quase nas garras do lobisomem, eu tinha a impressão que ia entrar aquele famigerado letreiro: "continua na próxima semana" hehehe!
Feito num período de plena efevercência do cinema fantástico mexicano que nos brindou com clássicos como EL VAMPIRO (1957) e sua sequência EL ATAÚD DEL VAMPIRO (1958), ambos de FERNANDO MENDEZ, sem falar nos surreais, e inúmeros, filmes de lutadores como EL SANTO, que enfrentavam toda a sorte de monstros, que começaram no começo dos anos sessenta. LA LOBA, apesar de todos seus defeitos, ainda pode ser assistido além de sua importancia histórica como clássico precursor da licantropia mexicana, graças ao seu ritmo ágil e seu (involuntário?) charme trash.
EXCALIBUR de JOHN BOORMAN é, sem sombra de dúvida, um dos meus filmes favoritos dos anos 80. Me recordo que na primeira vez em que vi, e eu era apenas um garoto, fiquei profundamente impressionado! A saga do rei Arthur contada aqui sem frescuras. A obra contêm todos os elementos necessários para satisfazer qualquer criança: magia, duelos, traições, sexo e violência. Tudo embalado pela belíssima "Carmina Burana" de CARL ORFF e um visual arrebatador que dá um banho em muito cenário de CGI que tem por ai. Quem já assistiu essa beleza deve entender o porque não consigo aguentar mais de quinze minutos de bobagens como O SENHOR DOS ANÉIS...
TARANTINO em PULP FICTION (1994), meu filme preferido dos 90's, desencavou a clássica canção "Misirlou" do cabuloso DICK DALE & THE DEL TONES. Pois bem, aqui está o próprio DALE, em carne, osso e guitarra, tocando essa mesma canção, trinta anos antes de ser imortalizado pela obra de QUENTIN, num trecho do, hoje obscuro, A SWINGIN' AFFAIR (1963) de JAY O. LAWRENCE. Divirtam-se!
Pois é, como já escrevi por aqui em outras vezes, meu cérebro faz algumas conexões... explico: enquanto a maioria dos mortais corre para ver AVATAR, eu não tenho a miníma vontade de vê-lo, simples assim. Mas, apesar disso não deixo de pensar no tal 3-D, um recurso que vira e mexe reaparece para salvar o cinema da falta de público. E o pior que nunca vi um filme desses na telona (nem no revival que teve nos anos 80 com filmes como o spaghetti western COMIN' AT YA (1981) de FERDINANDO BALDI e muito menos com outras obras como: SEXTA-FEIRA 13 III, AMITYVILLE III, TUBARÃO III, e alguma outra parte 3 que agora não me recordo...). Dos filmes que estão surgindo por aí, talvez (eu digitei TALVEZ) eu vá ver o PIRANHA 3-D (eu ainda levo fé no ALEXANDRE AJA!). De qualquer modo, voltando aos meus devaneios, quando ouço falar em cinema em terceira dimensão a primeira coisa que me vem a cabeça é a imagem desse senhor da foto ai de cima. Para quem não conhece este é ANDRÉ DE TOTH (1912-2002), nome artístico de SÂSVARI FARKASFAWI TÓTHFALUSI TOTH ENDRE ANTAI MIHÁLY (dúvido que alguém consiga decorar isso!). Esse húngaro foi precursor do 3-D em dois longas de 1953: o clássico de terror O MUSEU DE CERA (House of Wax) e O PISTOLEIRO (The Stranger wore a Gun), este o primeiro western a utilizar o recurso. Claro que embora bastante citado por utilizar esta tecnologia, então nascente, a carreira de DE TOTH deve ser mais celebrada pela sua filmografia, marcada por filmes crús e ousados para os padrões caretas da Hollywood daquela época (escrevo isso como se a cidade dos sonhos ainda não fosse careta!). O DETALHE MAIS INTERESSANTE (e talvez por isso que o nome dele seja recorrente na minha memória): é que apesar de rodar dois filmes em terceira dimensão ANDRÉ DE TOTH jamais pode ver os resultados desses seus trabalhos, pois como podem perceber na foto acima, esse senhor era cego de um olho!
Em 6 de abril completará 12 anos da morte dessa figura controversa. A norte-americana WENDY ORLEAN WILLIAMS (1949-1998). Chegou a fazer pornôs nos anos 70 e alguns trabalhos para tv (inclusive aparece num episódio da série MacGYVER!), mas seu forte era a música. Em meados dos anos 70, ela causou furor como a vocalista dos PLASMATICS, lendária banda de Punk Rock. Suas perfomances causavam furor por onde passava, sempre com figurinos escandalosos (invariavelmente seminua) ela, não raras vezes, se masturbava no palco entre as canções, isso sem mencionar as destruições de guitarras e as explosões de carros em pleno palco! Inclusive, há um video em que ela detona uma viatura da polícia no meio do show (não me perguntem como eles descolaram essa carango!). Por causa disso tudo as apresentações da banda eram intensamente boicotadas pelos conservadores, inclusive com shows cancelados em plena turnê (e vocês, amiguinhos e amiguinhas, que achavam que isso era exclusividade do MARILYN MANSON...). Depois de dissolvida a banda ela seguiu em carreira solo, com uma sonoridade mais voltada para o Hard Rock, fortemente influenciada pelo MOTÖRHEAD, esse bando de maloqueiros ingleses com quem WENDY acabaria tendo uma relação estreita, principalmente com o lendário vocalista LEMMY KILMISTER. Nos anos 90, afastada da música, acabaria vivendo com seu antigo empresário ROD SWENSON, em Connecticut, aonde trabalhava como veterinária e também numa loja de comidas natureba (sim, além de tudo isso, a moça era defensora dos animais e vegetariana!!!). Até que, num belo dia, em meio as árvores perto de sua residência, ela resolveu dar cabo de tudo, com um tiro de espingarda na própria nuca. Chegou a ser anunciado em 2008 um projeto de se fazer uma cinebiografia de W.O.W., inclusive com a bonitinha HAYDEN PANETTIERE (da série de tv HEROES) no papel da Punk tresloucada, mas me parece que a produção foi engavetada. Bem, de qualquer forma, fica aqui minha homenagem para THE QUEEN OF SHOCK ROCK, como também era chamada.
Eis dois videos em memória da saudosa WENDY O. WILLIAMS:
Aqui um rápido trecho do clássico wip REFORMATÓRIO DE MULHERES (Reform School girls, 1986) de TOM DeSIMONE, aonde a gloriosa WENDY O., com sua cara no melhor estilo baranga pedreira com seios fartos, contracena com uma das musas do cinema exploitation: SYBILL DANING!
Abaixo, na sua melhor fase musical, como vocalista dos PLASMATICS, interpretando a canção "Butcher Baby".
O lançamento em DVD oficial de MANGUE NEGRO (2008) de RODRIGO ARAGÃO! Será um DVD duplo recheado de extras, ao preço de R$29,90. Lançado pelo selo, renascido das cinzas, Dark Side/London Films. A data para o lançamento será 1° de fevereiro e estará disponivel em lojas como Americanas, Wal-mart e Extra. Simplesmente imperdível!!!!!!!
A vez agora é de TATJANA SIMIC, ou apenas TATJANA como é mais conhecida. Nascida numa região da antiga Iugoslávia (atual Croácia), descendentes de croatas e holandeses, essa loira exuberante é uma autêntica popstar na Holanda, aonde alterna uma bem sucedida carreira de cantora com a de atriz, aonde aparece, entre outros trabalhos, no filme FLOODER (1986) de DICK MASS, uma comédia erótica aonde a moça mostra toda sua desinibição, por assim dizer, esse trabalhou teve mais duas continuações até virar série da tv holandesa (cavocando o Youtube você encontra algumas cenas da telessérie, aonde ela exibe seus predicados...). Posto aqui um dos seus maiores hits europeus , se não o maior, a canção "Santa Maria". Sinceramente a música em si, para mim, é mais um desses eurodances qualquer nota, e se eu não soubesse que é o videoclip de uma cantora, poderia jurar que se tratava de algum making off de um ensaio sensual light. De qualquer modo, se a carreira dela não vingasse como cantora (coisa que infelizmente não aconteceu), bem que ela poderia ter tentado a carreira pornô! Bem, chega de embromação, eis mais um VIDEOCLIP EXPLOITATION!
(L'Ennemi Public N°1 a.k.a. Mesrine - L'Ennemi Public N°1)
de JEAN-FRANÇOIS RICHET
(2008)
Eis a conclusão da saga do gângster francês Jacques Mesrine, tido por muito tempo como o inimigo público n°1 da França. E, como afirmei no post sobre a primeira parte, RICHET, a exemplo de TARANTINO e SODERBERGH filmou os dois ao mesmo tempo e lançando-os separadamente. Com a única diferença que se seguiu a ordem cronológica inversa do roteiro (!!!), isto é, foi filmado literalmente de trás para frente, aproveitando os vinte quilos adquiridos por VICENT CASSEL, num tour de force a lá ROBERT DE NIRO, para interpretar o bandido na sua fase final, e conforme ia perdendo peso ia filmando a fase mais jovial de Mesrine!!! Aliás, o fato de ambos terem sido rodados simultaneamente garantiu uma unidade qualitativa incrível, sem contar a atuação do próprio CASSEL que incorpora Mesrine de forma impecável. Se no primeiro acompanhamos a gênese do criminoso, sua passagem pela guerra da Argélia, sua ida irreversível ao mundo do crime, sua passagem pelo Canadá, aonde aprontou o diabo. Agora no retorno à França o que se pode esperar dele? Algo no mínimo explosivo! E nisto, podem acreditar, o filme não nega fogo!
Como no primeiro, começa com lances de seu trágico desfecho para depois ir repassando a saga em flashback. Aqui, Jacques já é um notório criminoso. E acompanhamos sua rotina de assaltos a bancos e fugas espetaculares, seja numa prisão de segurança máxima, seja em pleno tribunal!! Sempre acompanhado de vários comparsas ao longo do filme, dando enfâse ao seu relacionamento com François Besse (MATHIEU AMALRIC), e claro, belas mulheres, sendo sua derradeira companheira a jovem Sylvie (LUDVINI SAGNIER). Um aspecto curioso em relação a esta segunda parte é que aqui se mostra um Mesrine mais debochado e fanfarrão (mas não menos brutal que no anterior), capaz de transformar seu próprio julgamento num circo debochando do juiz e das instituições sociais, abusando de seu carisma, chamando a atenção da opinião pública para si. Também deve se ressaltar que aqui estamos diante de um criminoso mais experiente e seguro, e hábil em disfarçes. Enlouquecendo a polícia ao ponto desta não ver outra alternativa se não matá-lo.
Como na primeira parte, o diretor constrói um filme com seus alicerces fincados nos policiais setentistas. Criando grandes sequências: como um assalto a banco em que a polícia captura o motorista antes de eles saírem do recinto, tendo que fugirem a pé, Mesrine e um cúmplice, trocando tiros com os tiras até alcançar um trem na estação (o que me recordou, guardando as devidas proporções, ao OPERAÇÃO FRANÇA), outra cena que se destaca é a própria fuga do julgamento, já citada, e até a emboscada final, embora o espectador já saiba de antemão qual vai ser o desfecho, é notável como o diretor prolonga a cena até o insuportável, tendo a proeza de criar suspense em cima de uma situação previsível!!! Também há de se mencionar que, como se passa na segunda metade da década de setenta, a violência politíca que assolava a Europa no período é mencionada aqui: seja referências aos palestinos, seja ao grupo terrorista alemão de extrema esquerda Baader Meinhof (cuja a cinebiografia saiu em 2008 também: O GRUPO BAADER MEINHOF (Baader Meinhof Complex), sob a direção de ULI EDEL (de CHRISTIANE F.(1981)), quanto ao grupo comunista italiano Brigadas Vermelhas (acompanhamos em algumas cenas aqui o mais famoso e controverso caso envolvendo eles: o sequestro e assassinato do político italiano Aldo Moro, caso retratado em dois notáveis filmes: O CASO ALDO MORO (Il Caso Moro, 1986) de GIUSEPPE FERRARA e BOM DIA, NOITE (Buongiorno, notte, 2003) de MARCO BELLOCHIO). Outro fator interessante é que dentro deste caldeirão burbulhante Mesrine começa a delirar achando que seus assaltos a bancos são atos revolucionários, e que estaria destruindo o sistema com isso (por incrível que pareça esse tipo de bobagem não era exclusividade dele, outros marginais também entraram numa onda parecida, como o traficante carioca Juliano VP, segundo o livro ABUSADO de CACO BARCELLOS, em que determinadas passagens se comparava a CHE GUEVARA e JESUS CRISTO!!! Uma espécie de quase síndrome de Robin Hood, embora Mesrine não roubasse para os pobres mas para seu próprio usufruto). Em determinada passagem o já citado comparsa François Besse afirma a Mesrine: "Você que destruir o sistema, eu quero mantê-lo para consumí-lo", em outro momento um comparsa comunista e ex-companheiro de xilindró (GERÁRD LANVIN) dispara: "Você assalta bancos e gasta com carros e jóias. Você não está destruindo o capitalismo, você o está axaltando-o". Óbvio que nosso anti-herói é um cabeça dura não muito afeito a opinião alheia. O filme ainda mostra que Mesrine teria interesse em entrar em contato com as Brigadas Vermelhas, fato que nunca chegou a se concretizar.
Como se pode notar, nesta segunda parte se aprofunda ainda mais na complexa personalidade do criminoso, chegando em alguns momentos a se ver um lampejo de humanismo como quando visita o pai no hospital, este à beira da morte, ou quando recebe a visita da filha na prisão. Outro ponto seria o egocentrismo dele: quando preso, fica puto quando descobre que sua prisão não ganha as manchetes de jornal, perdendo lugar para um golpe de estado no Chile feito por um tal Pinochet (!!!), dai que detrás das grades acaba escrevendo suas memórias (que serviu de boa parte para o roteiro). Ou quando faz uma entrevista bombástica, em que fala merda pelos cotovelos, afirmando que poderia até treinar israelenses (óbvio que estava mais interessado na autopromoção que qualquer viés ideológico), nesta entrevista em que meio a bobagens ele mostra momentos de lucidez ao afirmar que sabe que não viverá muito.
A diferença básica entre os dois seguimentos é que, se no primeiro a ênfase era na criação do criminoso, aqui, evidenciando ainda mais o aspecto episódico da narrativa, se da mais importância a personalidade da personagem. Claro que isto não desmerece a ação e a violência. Prevalece, como na primeira parte, o tom seco, sem espaços a rompantes de romantismo e nem de sangues feitos em CGI toscos. Sim, o Dillinger de JOHNNY DEPP em INIMIGOS PÚBLICOS é um FRESCO diante do casca grossa Mesrine de CASSEL (talvez em seu melhor momento de toda sua carreira). Enfim, essa segunda parte faz jus a ótima primeira parte. Dois ótimos filmes para quem está cansado das frescuras do cinemão hollywoodiano. Uma conclusão com chave de ouro. NOTA: para não dizer que não falei das flores: aqui também não toca o "Paint Black" dos STONES como há no trailer (alguém ai, por acaso tem o telefone do Procon?) em compensação temos a clássica canção Punk "London Calling" do THE CLASH e o clássico de cabaret francês "Non, Je Ne Regrette Rien" da EDITH PIAF.