Que me desculpem a VIVI FERNANDEZ, MÔNICA MATTOS, BRUNA FERRAZ... acho todas muito belas, mas a minha musa máxima do pornô nacional é a eterna, linda e maravilhosa (tanto na fase pré, como pós silicone e tatoos, é divina de qualquer forma)...
Este post eu dedico para os meus amigos CRISTIANO, THAYSE, JOÃO, PAULO ROGÉRIO e FABIANO, que queriam saber de que filme eram as imagens do clip Rawhide do DEAD KENNEDYS. Como o Blob é um cara que não gosta de deixar o pessoal na mão, aqui vai a resposta: bem, a canção em questão é uma versão da música-tema do seriado homônimo que durou de 1959 até 1966 e era estrelado por CLINT EASTWOOD, que neste meio tempo foi para a Itália fazer uns bangue-bangue com um tal SERGIO LEONE, e o resto todo mundo sabe... já as cenas que aparecem no video é do obscuro filme THE TERROR OF THE TINY TOWN, realizado em 1938, dirigido por SAM NEWFIELD, o único western feito por anões (!!!), chegou a ser incluído na lista dos piores cinco filmes de todos os tempos pelos critícos HARRY MEDVED e RANDY LOWELL. Como se não bastasse as imagens, o próprio título do filme também serviu de inspiração para o nome de uma das canções da nova banda do antigo vocal do DK: JELLO BIAFRA & THE GUANTANAMO SCHOOL OF MEDICINE que está no álbum The Audacity of Hype lançado em 2009...
Resolvido a questão vai abaixo um teasar da película:
Imbuído do mais profundo espiríto natalino que aqueçe meu coração nessa época do ano, resolvi também impregnar as almas pagãs de meus poucos leitores com um algo terno e construtivo, como convém nesses dias que se seguem. Abaixo um video para inspirá-los... o fanstático IMPALED NAZARENE com a canção WE'RE SATAN'S GENERATION. Bom acho que o nome da banda e da música falam por si...
Com estréia prevista para 19 de março de 2010 (nos U$A, of course) a cinebiografia da lendaria banda de rock THE RUNAWAYS!!! Dirigida pela clipeira FLORIA SIGISMOND trará no elenco nomes como DAKOTA FANNING como CHERIE CURRIE, SCOUT TAYLOR-COMPTON como LITA FORD, STELLA MAEVE como SANDY WEST E PARA FECHAR... a mala de CREPÚSCULO, sim ela mesma, KRISTEN STEWART como JOAN JETT (ai meu deus!). O filme é baseado no livro "Neon Angel" de CHERIE CURRIE. Vamos ver no que vai dar...
Eis uma fotinho meiga das RUNAWAYS originais:
Eis um video das moças em ação:
Agora assistam esse clássico da JOAN JETT ai embaixo e pensem comigo: KRISTEN STEWART... Não sei, não... acho que eu prefereria ver a SELMA BLAIR no lugar...
Para os desavisados: ao contrário do que pode aparecer à primeira vista, este não é uma adaptação oriental do clássico conto "The Black Cat", a obra-prima do mestre EDGAR ALLAN POE, embora tenham um ponto em comum (além, obviamente, do gato preto) que abordarei mais adiante. O que temos aqui é um belo e trágico filme de terror.
Tudo se passa no Japão feudal, arrasado pela guerra civil, aonde no começo visualizamos duas mulheres que moram numa casa próxima a um bambuzal. Logo elas recebem a visita inesperada de uma horda de samurais maltrapilhos (provavelmente vindos do campo de batalha) que, não contentes em comer a comida delas, ainda estrupam a mais nova, matam as duas e botam fogo na casa! Numa sequência impecável em sua crueza: simplesmente não há diálogos e nem trilha sonora, apenas o ruido do vento e closes nos rostos feios dos invasores (o que me lembrou até LEONE...), os caras entram quietos, arrasam tudo e no fim saem calados de dentro da cabana (aonde, ainda com o silêncio reinante, aparece a fumaça saindo de dentro da morada, indicando o incêndio criminoso... aqui está um daqueles casos em que a simplicidade é poderosa). Com a casa reduzida as cinzas, sobram ainda os corpos de suas moradoras quase intactos, é quando surge um gato preto, que não só passeia por cima dos cadáveres como os lambe. Depois deste prólogo atmosférico passamos para o portão da residência do senhor feudal local, sempre protegido por um samurai como sentinela, numa noite um destes soldados acaba encontrando uma moça, claro que o corajoso homem por cavalherismo resolve levá-la até sua casa, que fica em meio ao bambuzal, aonde mora com sua suposta mãe. Depois de encher a cara do infeliz de saquê, a garota o seduz, para em seguida matá-lo sugando-lhe o sangue. Óbvio que as duas mulheres são as mesmas que morreram no início, só que agora transformadas em entidades sobrenaturais, algo como fantasmas-vampiras, partem para a vingança sugando o sangue de todos os samurais que encontrarem, sempre acompanhadas pelo olhar impassível do gato preto. Assim como o primeiro, elas vão aos poucos, todas as noites, atacar quem protege os portões da fortaleza. Claro que isto instala o caos e o terror dentro das muralhas... e é em meio a essa situação que chega um agricultor que se tornou soldado (KIECHIEMON NAKAMURA), que por ter matado em batalha um lendário bandido (e trazido sua cabeça decepada como prova) ganha a honra de se tornar um samurai e como primeira missão matar o monstro que esta causando pânico na região. O detalhe é que antes de partir para a guerra ele morava numa casa perto do bambuzal com sua mãe e sua esposa... claro que as coisas se complicarão quando ele descobre que os tais monstro na verdade são elas...
Carregado de uma atmosfera onírica que vai desde os cenários (seja a casa das duas fantasmas, sempre envolto em névoas, seja o bambuzal) até o prório movimento delas, fortemente estilizados (como na dança da mais velha enquanto a nora mata os samurais), tudo aqui exala um tom poético carregado de melancolia graças ao tom trágico da trama. Dirigido por KANETO SHINDÔ, nascido em Hiroshima em 1912, começou sua carreira como auxiliar e aprendiz do mestre KENJI MIZOGUCHI, têm em seu currículo mais de quarenta e quatro filmes como diretor (dirigiu também obras como HADAKO NO SHIMA a.k.a. THE ISLAND(1960) e ONIBABA (1964), seu filme mais famoso) e mais de cento e cinquenta (!!!) trabalhos como roteirista. O curioso é que apesar de seu nome não ter por aqui o mesmo peso de gente como o já citado MIZOGUCHI ou OZU, ou KUROSAWA, este senhor, hoje quase centenário, ainda faz filmes, seu último trabalho foi feito em 2008. Talvez seja o segundo diretor mais velho em atividade, perdendo apenas para o português MANOEL DE OLIVEIRA, esse sim já passou dos cem anos...
Ao contrário de outras obras como OS SETE SAMURAIS, aqui não se pinta de forma lisonjeira a figura do samurai, pelo contrário, são mostrados como seres estúpidos e arrogantes, despidos de qualquer pretenso heroismo (espero que com esse comentário não achem que falo mal do filme do KUROSAWA, pois adoro essa obra-prima, só estou destacando aqui pontos de vista diferentes), sem falar no caráter claramente anti-bélico do filme. E a semelhança com o conto de POE é o fato de que, em ambas as obras, a maldade sobrenatural é desencadeada pela crueldade extrema do homem (claro que isso também era o leitmotiv de 99% das HQs da Ec Comics, mas isso já é outra história..). Também aprendi que o gato preto é figura de mau agouro também no Japão, pois eu achava que isso era exclusivo da cultura ocidental, graças a velha crença que os europeus tinham na idade medieval que tais bichanos eram bruxas disfarçadas (mesma época em que eles acreditavam que o mundo estava apinhado de vampiros e lobisomens, o que me leva a crer que eles usavam ótimas drogas naquela época...).
Enfim, O GATO PRETO é um belo trabalho. Com uma forte concepção visual, é uma obra de horror carregado de tristeza e poesia. Um clássico a ser descoberto.
Isso tá ficando chato... nesse ano de morte, pois sinceramente nunca vi morrer tantas celebridades, depois de ícones como MICHAEL JACKSON, LEILA LOPES e LOMBARDI (ao qual fiquei devendo uma de dicatória...), chegou a vez de uma das figuras mais controversas da mídia brasileira...
Numa típica escola secundaria alemã leciona o professor Rainer Wagner (JÜRGEN VOGEL), figura carismática e de caráter liberário. Aonde numa semana deve desenvolver com os alunos trabalhos sobre tendências políticas. Após perder a chance de falar sobre o anarquismo ("eu morei cinco anos em ocupações e participo todos anos nas manifestações de primeiro de maio" justifica-se ele) para um mestre veterano e reacionário ("ensinar a fabricar coquetéis molotov são para as aulas de química" devolve o velho pedagogo) acaba sobrando as aulas sobra autocracia. O problema é como chamar a atenção de uma turma de alunos, que já são dispersos por natureza, para um tema tão árido, que via de regra acaba desembocando em temas como totalitarismo e a velha ferida alemã que ainda está aberta e arde: o nazismo, coisa que a própria turma está cansada de ouvir ("todo mundo sabe que o terceiro reich foi uma bosta" afirma um dos estudantes). A partir de uma questão levantada por um dos alunos (o de que não haveria como haver uma outra ditadura) o professor descolado resolve então implatar um método diferente: começando com exercícios de disciplina e impondo autoridade, o professor começa a simulação de um movimento em sala de aula. Apartir de coisas simples como sentar e levantar da cadeira, se posicionar direito e tratar o professor com uma reverência, o filme vai expondo toda a mecânica para a criação de um movimento fascista. Vai mostrando passo-a-passo o nascimento de um monstro: a uniformização (camisas brancas e calças jeans), um nome para o grupo (A Onda), um logotipo, a saudação, e por ai vai... os problemas começam quando os alunos cabeças-de-vento resolvem levar realmente a sério essas lições e extrapola-las além das quatro paredes. Fazendo com que "A Onda" varra a cidade naquela semana. As consequências serão trágicas...
Baseado no livro THE WAVE de TODD STRASSER, com o pseudônimo de MORTON RHUE, que por sua vez foi inspirado num caso real ocorrido em Palo Alto, Califórnia em 1967, sobre um professor que numa palestra sobre as origens do nazismo acabou, involuntariamente, criando um foco nazi-fascista na escola. Acabou originando também um elogiado curta feito para tv em 1981, com o mesmo nome do livro e dirigido por ALEXANDER GRASSHOFF, e que teve até uma certa repercursão na época. quanto a esta versão de 2008 destaco a direção de DENNIS GANSEL, que apesar do material explosivo em mãos o manuseia com segurança, sem grandes malabarismo "moderninhos" e sem esticar-se em subtramas supérfluas, o que acarretaria na perda do foco, o que, felizmente, jamais ocorre. Outro ponto a favor é o roteiro escrito a quatro mãos pelo diretor e pelo ator e diretor PETER THORWARTH, que souberam transferir a história original para a Alemanha atual (OK, eu sei, que tendo em vista o tópico da história, isso não é uma coisa muito difícil de ser feita...), embora não deixe escapar o velho clichê de mostrar a vida desestruturada e sem perspectivas de alguns dos alunos (o que justificaria o fato de eles abraçarem qualquer causa perdida que lhes é apresentada), fora aqueles que como diz minha mãe: cabeça vazia oficina do diabo. E por fim não poderia deixar de citar a atuação carismática de JÜRGEN VOGEL como o professor Rainer, um cara que tem a simpatia dos alunos e a animosidade do resto dos professores, que no começo anda pela escola com camisetas dos RAMONES e do THE CLASH, que apesar de métodos pouco ortodoxos e liberais no começo, acaba criando quase que uma versão nazi da SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS. Uma grande sacada é que no decorrer do filme, através de algumas atitudes em certos momentos (que eu até diria dúbias) o próprio parece gostar da autoridade que a própria turma lhe delega, isto é, sente-se um certo balançar em Rainer, coisas que acontecem com certas pessoas que experimentam o gosto do poder, e isso da ainda mais credibilidade a obra. Claro que também trará grandes incômodos ao mestre, mas qualquer dúvida sobre o caráter de Rainer se esfumaça no final aterrador. Há ainda a de se ressaltar a boa participação do jovem FREDERICK LAU como o aluno completamente idiota que se impõe como peça vital no ato derradeiro. E como curiosidade no elenco ainda temos uma brasileira perdida ali: a capixaba CRISTINA DO REGO, uma loirinha com cara de bolacha, que aqui faz a personagem Lisa, membro d'A Onda, que acaba arrastando uma asa para o namorado da melhor amiga. O curioso é que CRISTINA, tem em seu currículo várias participações em trabalhos para a tv... alemã!!!
Ainda há fatores importantes que não são dispensados: como as tretas com os Punks locais ("anarquistas cretinos" como são tachados por um membro d'A Onda lá pelas tantas), as alunas que se opõe contra o grupo, e um ingrediente importante: por conter no grupo pessoas vindas da antiga Alemanha oriental (comunista) e um turco entre eles, ou seja, sem descriminação étnica, A Onda se vê como um movimento distante do nazismo, uma ilusão que deve passar pela cabeça de vários grupelhos radicais (tanto extrema-direita quanto extrema-esquerda).
Por eu ser daqueles indivíduos pessimistas que acham que a estupidez e a idiotice fazem parte da genética humana devo confessar que, embora essa obra seja categorizada como drama, temas como fascismo e manipulação das massas (mesmo que aqui seja de certa forma involuntária, digamos assim) me fazem borrar de medo mais do que seriais killers, demônios e fantasmas de garotas nipônicas cabeludas. Enfim. A Onda é um grande filme sem sombra de dúvida, mesmo não sendo uma obra-prima. Dificilmente estará num top qualquer de melhores filmes. Mas é importante e salutar que se veja. Ainda com um tema assustadoramente tão atemporal.
Depois de aparições em telenovelas, posar para PLAYBOY, etc. e tal, ela acabou fazendo uma trilogia pornô (!!!) por um punhado de reais, mas assim como outras que também tinham o mesmo objetivo (leia-se: GRETCHEM, RITA CADILLAC...) logo se viu que a moça não levava o jeito para coisa. Os tais filmes, chamados PECADOS & TENTAÇÕES, PECADO SEM PERDÃO e por último PECADO FINAL, só não são um desastre completo graças a presença de TAMIRY CHIAVARI, a minha musa mor do pornô nacional. De qualquer forma esperamos que descanse em paz...
Os italianos, como muitos sabem, não criaram o espaguete, eles apenas aprimoraram a criação dos chineses (há quem diga que os babilônicos já tinham inventado uma massa antes deles, mas isso é outra história... por aqui ficaremos com os chineses, OK), assim como a pizza, em que eles aperfeiçoaram apartir de uma receita de uma espécie de pão grego. Bom, apartir dessas referências gastronômicas se pode fazer uma analogia com o cinema feito no país da bota. Vejamos: eles pegaram o gênero norte-americano por excelência, num momento em que já sofria um evidente desgaste, e lhe deu uma roupagem até então inédita, mais violenta e amoral, o que acabou revitalizando-o. Claro que estou me referindo aos Spaghetti-Westerns. Como se não bastasse eles também renovaram as histórias de mistério ou Whodunit, como chamava HITCHCOCK, dando-lhes uns temperos a mais: violência e sensualidade. Esta criado o Giallo, com seus assassinos de luvas de couro preto e facas reluzentes, aliás foram os italianos que souberam explorar no cinema, melhor do que ninguém, este subgênero, que até então, na minha humilde opinião, funcionava melhor na literatura (mas, eu aprofundarei essa questão uma outra hora...). Tudo isso começou em meados dos anos sessenta. No início da década de setenta filmes policiais norte-americanos como BULLIT, DIRTY HARRY, OPERAÇÃO FRANÇA, O PODEROSO CHEFÃO, entre outros, ficaram muito populares na Europa. Óbvio que a Itália não ia deixar barato... Aproveitando a febre criada pelas obras citadas, se deu então uma produção de diversos filmes policiais, com o tempero local, of course. Estava criado então o chamado Poliziesco. Do qual esse MILANO CALIBRO 9 não só é um dos precursores como um dos expoentes máximos. Também é o primeiro de uma trilogia que o diretor faria tendo a cidade de Milão como pano de fundo. Os outros são LA MALA ORDINA a.k.a. MANHUNT (1972) e IL BOSS (1973).
Tudo começa com uma negociata entre mafiosos que acaba dando errado, pois o dinheiro simplesmente desaparece no ar! Mostra-se o dinheiro sendo empacotado, o pacote vai passando de mão-em-mão até chegar ao seu destino, as mãos de Rocco (MARIO ADORF, de uma canastrice deliciosa), só que, quando abre o pacote ele encontra um monte de papel! Emputecido, ele agride alguns atravessadores e se livra deles amarrando-os dentro de uma caverna e detonando tudo com bananas de dinamite! na verdade essa abertura é uma verdadeira obra de arte, com tudo funcionando harmoniosamente: fotografia esplendorosa, edição precisa, música dando o clima exato e mise-en-scène perfeito! Tão bom que não me canso de rever isso (e me encher de raiva dos filmes atuais feitos pelos "moderninhos" de plantão e suas atrocidades videoclipeiras). Após essa entrada sublime acompanhamos a trajetório do anti-herói da história Ugo Piazza (GASTONE MOSCHIN), que foi o único da gangue a ir para o xilindró na fatídica operação, e que ao sair das grades arranja uma infinidade de problemas. E ai que está: TODOS acreditam que foi ele que levantou a grana. Incluindo Rocco, que nada mais é que o capanga (assim como Ugo antes da prisão) do poderoso gângster conhecido como americano (o lendário LIONEL STANDER), este por sua vez, também acreditando na culpa de Hugo o recoloca na quadrilha novamente apenas para deixá-lo debaixo de sua vista e poder botar a mão na grana assim que o ex-presidiário for pega-la. A pergunta que sobrevoa todo o filme: "Se não foi o Ugo que pegou a porra desse dinheiro, então quem diabos foi?" faz com o que o diretor/roterista FERNANDO DI LEO (inspirado num livro de GIORGIO SCERBANENCO) embraralhe habilmente a trama colocando uma porção de personagens interessantes: como os dois policiais que querem fazer de Ugo um delator, um de tendência reacionária e fascista (o norte-americano FRANK WOLFF, aqui desprovido de seu característico bigodinho de canalha) e outro mais humanitário (LUIGI PISTILLI), aliás as cenas em que os dois investigadores discutem sobre ideologias mostra, ainda que de leve, a situação política italiana na época (que o país era assolado pelos ataques terroristas das brigadas vermelhas). Também há os amigos de Ugo como Don Vicenzo (IVO GARRANI), um ex-chefão que está cego e caiu em desgraça ("está um pouco mais que um mendigo" segundo o americano) e Chino (PHILIPPE LEROY), um assassino de aluguel que mora com Don Vicenzo (e que no final das contas se mostra o único personagem com um código de moral claro e no qual é fiel). isso sem falar na dançarina e ex-casinho de Ugo, que ele justificadamente pretende reatar: Nelly interpretada pela extonteante e exuberante BARBARA BOUCHET. A cena de apresentação da personagem é antológica: com ela dançando, em trajes mínimos, na boate, é de tirar o fôlego! BOUCHET, além de gostosa é estupidamente bela (sem contar que ela participou de dois dos meus Gialli preferidos: NON SI SEVIZIA UN PAPERINO (1972) de LUCIO FULCI e LA TARANTOLA DAL VENTRE NERO (1971) de PAOLO CAVARA) e enfeita maravilhosamente essa grande obra. Com todos os elementos somados, o filme acaba se encaminhando para reviravoltas e surpresas sem deixar, é claro, vários mortos no caminho.
Como escrevi no começo, MILANA CALIBRO 9, segue a fórmula norte-americana, mas com tempero italiano, "à milanesa" eu diria (desculpem-me, mas não resisti o trocadilho vagabundo!). Aqui todos ao meu ver, com exeção do assassino Chino, parecem moralmente dúbios, movendo-se conforme suas convêniências. O resultado é um filme niilista e amargo. num mundo aonde, segundo o decadente Don Vicenzo, a verdadeira máfia morreu e o que temos é um bando de guangues brigando entre si (o que acaba explicando o fato de que numa organização tão territorial quanto a máfia italiana, um estrangeiro (lembrem-se do americano) ganhe status de "chefão"). Outra coisa que me chamou a atenção de cara é como um cara tosco, bruto, feio e aparentemente estúpido pode ter um caso com uma belezura como a personagem de BOUCHET? Isto é que me encanta no cinema... sem contar que aqui TODOS os personagens são casca-grossa! Tanto que lá pelas tantas quando se fala em fugir do país, ao invés do país clichê neste tipo de situação (sim, estou falando do Brasil!) eles falam em se mandar para... o Beirute! Vai me dizer que isso não é ser fodão? Cultuado por gente como TARANTINO, MILANO... é uma obra poderosa. E se você é um não-iniciado nos Poliziescos recomendo que comece com esse e sinta a fúria dos filmes policiais made in Italy.